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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Pesquisadores desenvolvem arroz de ciclo precoce que consome 8% menos água

 Foto: Paulo Lanzetta

Paulo Lanzetta - O ciclo precoce do arroz A705 proporciona economia de água e energia.

O ciclo precoce do arroz A705 proporciona economia de água e energia.

  • Com resistência moderada às principais doenças que atingem o arroz, a nova cultivar reduz o número de aplicações de fungicidas nas lavouras. Dependendo do clima e do manejo, ela pode nem necessitar do defensivo.

  • Precocidade reduz a necessidade de irrigação. Com isso, o novo arroz economiza custos com recursos hídricos e energia elétrica.

  • Apresenta alto potencial de produtividade: cerca de dez toneladas por hectare.

  • Seu porte baixo, entre cinco e dez centímetros menor que as plantas convencionais, lhe confere resistência ao acamamento.

Em busca de uma cultivar de arroz de ciclo precoce, que utiliza menos água e porte mais baixo, ao permitir maior resistência ao acamamento, pesquisadores da Embrapa desenvolveram a cultivar de arroz irrigado BRS A705 com elevada produtividade e qualidade de grãos. O lançamento do novo produto ligado ao mercado de grãos está marcado para sexta-feira, 18 de fevereiro, às 11h (quadro abaixo).

A utilização de cultivares de ciclos diferentes possibilita que o orizicultor realize a semeadura dentro da janela mais indicada, a qual é bem restrita nas áreas de cultivo de arroz. A prática também ajuda a escalonar a colheita de forma que os grãos sejam colhidos dentro da faixa indicada para maximizar a qualidade industrial, com baixos percentuais de grãos gessados e elevada quantidade de grãos inteiros.

Lançamento

O arroz irrigado BRS A705 será oficialmente lançado antes da cerimônia da 32ª Abertura Oficial da Colheita de Arroz e Grãos de Terras Baixas na Estação Experimental Terras Baixas, localizada no município de Capão do Leão (RS), e pertencente à Embrapa Clima Temperado.

Para conhecer mais características da cultivar é possível assistir a palestra técnica Nova Cultivar de Arroz BRS A705: genética e manejo, no dia 16/02, às 18h, no canal Terra Sul no YouTube, dentro da programação de atividades da Embrapa, na 32ª Abertura da Colheita do Arroz. Outras informações estão disponíveis no Catálogo de tecnologias para sistemas de produção agropecuária em terras baixas
 

Por outro lado, mesmo sendo desejável do ponto de vista técnico, a utilização de cultivares de ciclo precoce somente é implementada pelos orizicultores se as cultivares disponíveis apresentarem elevado potencial produtivo. “Poderá haver alguma  redução de produtividade, devido ao ciclo menor, mas que será compensada pela redução dos custos de irrigação, na comparação com cultivares de ciclo mais longo, as quais tendem a ser mais produtivas na comparação com as de ciclo mais curto”, esclarece o pesquisador do Núcleo Temático de Grãos da Embrapa Clima Temperado Élbio Treicha Cardoso.

“A cultivar BRS A705, em função do seu ciclo, permite maior plasticidade na época de colheita, colaborando para a diversificação das cultivares utilizadas”, comenta. Conforme o pesquisador, a época de semeadura ideal deve ser aquela em que a diferenciação da panícula ocorre nos primeiros dias de janeiro, porque nesse período os dias apresentam maior duração, o que colabora para a obtenção de altas produtividades. “A densidade de semeadura deve possibilitar o estabelecimento de um estande de 200 a 300 plantas por metro quadrado, sendo necessários cerca de 90 kg de sementes aptas por hectare”, informa.

Outro ponto que chama atenção na BRS A705 é a menor demanda de quantidade de água para a sua produção, em função do ciclo precoce. “Em média, há uma redução em torno de 8% na demanda de água, tendo como referência uma cultivar de 130 dias de ciclo, da emergência à maturação. Essa economia de água, com elevada produtividade, colabora para a redução de custos, pois, além de menos água utilizada haverá menor demanda de energia para a irrigação, o que ocasiona melhor exploração dos recursos hídricos e energéticos disponíveis”, destaca o cientista da Embrapa.

A cultivar BRS A705

BRS A705 é classificada como precoce, com ciclo no Rio Grande do Sul em torno de 120 dias. As plantas são do tipo modernas, com folhas pilosas e folha bandeira ereta. Distinguiu-se das demais cultivares pela altura de plantas, sendo de cinco a dez centímetros mais baixas que as cultivares comerciais. Apresenta grãos longos e finos de casca clara pilosa, sem presença de aristas e com excelente qualidade industrial e culinária.

A variedade apresenta alto potencial de produtividade, em torno de dez toneladas por hectare, e ciclo precoce, o que proporciona economia no uso da água de irrigação. O porte baixo da cultivar, confere resistência ao acamamento de plantas, mesmo em condições elevadas de adubação. ”Ela é uma evolução da BRS Pampa e o setor produtivo demandava uma cultivar que apresentasse flexibilidade no manejo. Os orizicultores que adotaram a Pampa, muitas vezes manejaram de forma inadequada e ela apresentava alguns problemas de acamamento, por isso buscamos aliar a produtividade, qualidade de grãos e a resistência ao acamamento para atender ao sistema de produção convencional", conta o pesquisador da Embrapa Ariano de Magalhães Júnior, responsável pelo melhoramento genético da cultivar.

Ele ressalta que a cultivar tem apresentado excelentes respostas quando cultivada no sistema de arroz pré-germinado. “A BRS A705 apresenta resposta positiva a diferentes níveis de adubação de base e de cobertura, sem que ocorra acamamento de plantas”, informa Magalhães.

Além disso, ela apresenta moderada resistência às principais enfermidades da cultura do arroz, reduzindo o número de aplicações de fungicidas nas lavouras. “Dependendo das condições climáticas e de manejo, a BRS A705 não necessita de aplicação de fungicidas, enquanto que as cultivares suscetíveis recebem de duas a três aplicações no Rio Grande do Sul. Nas regiões tropicais o número de aplicações é muito mais elevado”, considera.

Foto: Paulo Lanzetta


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