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sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Presidente da COP26 conhece práticas sustentáveis da agricultura brasileira na Embrapa Cerrados



Alok Sharma, presidente da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26),  visitou a Embrapa Cerrados (DF) na manhã de hoje (5). O britânico veio ao Brasil para participar de um evento promovido pela embaixada do Reino Unido e cumprir uma agenda de reuniões com autoridades governamentais, empresários e representantes da pesquisa e de movimentos sociais e ambientais. 

No centro de pesquisas, Sharma esteve acompanhado por Peter Wilson, embaixador do Reino Unido, por Fernando Camargo, secretário de Desenvolvimento Rural e Inovação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), por Celso Moretti, presidente da Embrapa, e por Sebastião Pedro da Silva Neto, chefe-geral da Embrapa Cerrados,  além de integrantes da área de clima da embaixada britânica. 

Sharma conheceu a vitrine de experimentos com sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), onde acompanhou as apresentações de Fernando Camargo, de Celso Moretti, da coordenadora geral de Mudanças do Clima do Mapa, Fabiana Villa Alves, e do pesquisador Roberto Guimarães Jr., membro da equipe de pesquisa em ILPF da Unidade.

“Estamos mostrando que o Brasil faz agricultura de uma forma diferente e sustentável, baseada na ciência e na tecnologia, graças ao trabalho da Embrapa”, disse Camargo, explicando a transformação agrícola do Cerrado, baseada na correção dos solos ácidos e na adaptação de culturas ao clima tropical. “Graças à tecnologia, hoje é possível ter duas ou três safras anuais. Mas a agricultura tem que caminhar de mãos dadas com a proteção dos ecossistemas. Posso assegurar que o Brasil está pavimentando o caminho para um futuro mais verde e seguro para as próximas gerações. Precisamos mostrar isso ao mundo durante a COP26”, salientou.

Sustentabilidade na agricultura

Fabiana Alves abordou a contribuição da agricultura brasileira para a mitigação das emissões de gases de efeito estufa (GEE) e a segurança alimentar do País. Ela mostrou a evolução da trajetória de produção de alimentos no Brasil desde 1976, com aumento de 456% na produtividade, enquanto o aumento da área cultivada foi de apenas 55%. “Isso trouxe segurança alimentar para a população brasileira. Deixamos de ser um grande importador de alimentos e o preço da alimentação para o público em geral caiu pela metade”, explicou, destacando que toda a produção agropecuária está concentrada em apenas 30% dos 851,5 milhões ha de área total do País.

Alves falou sobre o Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (Plano ABC), do Governo Federal, que proporcionou aumento da sustentabilidade da agricultura brasileira com o incentivo à adoção de seis tecnologias de baixa emissão de carbono – recuperação de pastagens degradadas, sistemas de ILPF, Sistema Plantio Direto (SPD), florestas plantadas, fixação biológica de nitrogênio e tratamento de dejetos animais. Entre 2010 e 2018, foram alcançados 50 milhões de ha com essas tecnologias, o que representou uma mitigação de cerca de 170 milhões de Mg CO2-equivalente de GEE. 

Com o Plano ABC+, com metas para 2030, o objetivo é manter essas e outras tecnologias em pelo menos 35,5 milhões ha e expandir a área, com mitigação proporcional de GEE. Algumas iniciativas do plano serão apresentadas durante a COP26. Alves também citou algumas iniciativas públicas para impulsionar o mercado privado, como a plataforma de produtos certificados Carne Carbono Neutro, entre outros.

Celso Moretti fez apresentação sobre as cinco décadas de inovações na agricultura brasileira promovidas pela pesquisa científica. Ele falou sobre o desafio inicial, na década de 1970, de produzir alimentos nos trópicos para eliminar a dependência das importações e garantir a segurança alimentar do País. 

Moretti também destacou o desenvolvimento de uma agricultura baseada em ciência, com a participação da Embrapa, de outras instituições de pesquisa, universidades, serviços de extensão rural e do setor privado. “Em menos de cinco décadas, conseguimos estabelecer uma agricultura tropical baseada em ciência, sustentável e competitiva”, destacou.

Como pilares desse processo, ele apontou a transformação dos solos ácidos e pobres do Cerrado em terras férteis; a tropicalização de culturas agrícolas como o trigo e o milho e de sistemas de produção animal; e o desenvolvimento de uma plataforma de práticas sustentáveis, como o plantio direto, os sistemas de ILPF e a fixação biológica de nitrogênio. Por fim, falou sobre o momento atual de produção agrícola pautada pela sustentabilidade, com práticas como a certificação Carne Carbono Neutro.

ILPF

Roberto Guimarães Jr. apresentou os sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, compostos pela alocação de diferentes sistemas de produção (agrícola, pecuário e florestal) em uma mesma área, utilizando cultivos em consórcio, sucessão ou rotação, e que permitem até três safras anuais. De acordo com estimativas, os diferentes arranjos de ILPF ocupam atualmente mais de 17 milhões de ha no Brasil.

O pesquisador apontou as diversas vantagens dos sistemas de integração: “Eles se adequam a diferentes condições climáticas, e isso é importante porque somos um país continental, e podem ser aplicados em propriedades pequenas médias e grandes”, afirmou.

Guimarães também destacou que esses sistemas permitem a recuperação da produtividade de pastagens degradadas com baixo custo, possibilitando maior número de animais por hectare e ganho de peso dos rebanhos; aumentam a produção de leite e de embriões devido ao sombreamento das árvores; fornecem cobertura ao solo na entressafra; quebram ciclos de pragas e doenças; aumentam a infiltração de água no solo, entre outros.

Ele mostrou dados de experimentos comprovando a capacidade dos sistemas de integração de ciclar de nutrientes, com economia de fertilizantes de nitrogênio, fósforo e potássio; acumular carbono no solo; e mitigar emissões de GEE como o óxido nitroso e o metano, permitindo um balanço positivo de carbono na propriedade ao longo do tempo.

Para incentivar e acelerar a adoção dos sistemas ILPF pelos produtores rurais e assim contribuir para a intensificação sustentável da agricultura brasileira, foi criada a Associação Rede ILPF, formada pela Embrapa e pelas empresas Bradesco, Ceptis, Cocamar, John Deere, Soesp e Syngenta. Renato Rodrigues, pesquisador da Embrapa Solos (Rio de Janeiro, RJ) e presidente do conselho gestor da Rede ILPF, explicou o funcionamento e os objetivos da associação, destacando o papel de coordenação científica do projeto Rural Sustentável, que busca aumentar a produtividade agrícola preservando o meio ambiente.

Brasil na COP26

O País deverá ser destaque na conferência mundial sobre o clima, que será realizada de 31 de outubro a 12 de novembro em Glasgow, na Escócia. Um dos compromissos de Sharma no Brasil foi discutir a participação brasileira na COP26, com o vice-presidente da República Hamilton Mourão, os ministros Tereza Cristina, da Agricultura, Joaquim Leite, do Meio Ambiente, e Carlos França, das Relações Exteriores.

Breno Lobato (MTb 9417-MG)
Embrapa Cerrados

Embrapa

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