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terça-feira, 22 de junho de 2021

Temporada de queimadas se aproxima no Ceará e indicadores atuais crescem 154% em relação a 2020

Temporada de queimadas se aproxima no Ceará e indicadores atuais crescem 154% em relação a 2020

O quadro traz a cada ano preocupação para ambientalistas e gestores

Legenda: Agricultores fazem queimada de vegetação para preparo de solo; atividade é uma das que mais aumentam número de incêndios florestais no Ceará
Foto: Honório Barbosa

A partir do próximo mês, começa a época de queimadas no Ceará, que devem ser intensificadas entre agosto e dezembro. A aproximação do tempo em que o sertão costuma arder traz preocupação para ambientalistas e gestores. O sinal de alerta está ligado pois, entre 1º de janeiro e 17 de junho deste ano, há um aumento de 154% em comparação com igual período de 2020.

De acordo com o monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), cerca de 95% dos focos de incêndio em vegetação no Estado são registrados no decorrer do segundo semestre.  

Neste ano, foram observados 303 focos; em igual período de 2020, foram 119.  

Em junho, a tendência de alta também segue. Até quinta-feira (17), foram observados 20 focos de queimadas no sertão cearense, um aumento de 65% em comparação com igual período de 2020, que registrou 12 focos em mata nativa.

No ano de 2020, o Inpe registrou, no Ceará, 3.979 focos de queimadas, inferior ao registro de 2019 (4.304) e mais do que em 2018 (3.034) e em 2017 (3.486). Já em 2016, os dados apontam uma quantidade maior: 4.316 incêndios em vegetação.

O coordenador da Unidade de Estudos Básicos da área de Meio Ambiente da Funceme, Manuel Freitas, confirma que a maior incidência de queimadas se dá no segundo semestre e apontou alguns fatores de condição natural:

Mais de 80% da área do Ceará é recoberta por vegetação de Caatinga, que no período de escassez de chuva fica com os galhos e folhas secas, acumulando umidade apenas na raiz; é um período de alta temperatura e de ventos fortes
MANUEL BARROS
Coordenador da Funceme

Aliado às condições ambientais típicas do sertão cearense, há o fator comportamental do sertanejo que “ainda insiste em práticas antigas de queimar a vegetação para limpar o terreno”, complementa Freitas.

AÇÃO HUMANA

Em 2019, a Funceme fez um estudo que apontou duas áreas mais suscetíveis à ocorrência de queimadas: a região do Médio Jaguaribe e a do Sertão dos Inhamuns. “O nosso mapeamento não quer dizer que houve mais incêndios nessas duas regiões, mas que seriam mais vulneráveis”.

O setor técnico da Funceme observa também que a maioria dos focos ocorre às margens de rodovias que cortam áreas de mata nativa e de cultivo de grãos no período chuvoso.

Manuel Freitas esclarece que “não há nenhuma comprovação científica de que em anos chuvosos ocorra aumento de queimadas”. “Os focos de incêndio em vegetação, conforme explicado, dependem de vários fatores, e um dos principais é a ação do homem”.

Para o major Mardens Vasconcelos, comandante do Corpo de Bombeiros, em Sobral, “a observação prática indica que em anos mais chuvosos se verificam mais incêndios no segundo semestre porque é maior o acúmulo de massa vegetativa no sertão”.

A variação anual e mensal da quantidade de focos de queimadas, segundo revela monitoramento do Inpe, “decorre de vários fatores relacionados com a atividade agropecuária e a ação criminosa do homem”, segundo avalia o agrônomo Vandeilton Francelino.

“Verificamos que em alguns anos de boas chuvas ocorrem mais queimadas do quem em períodos de estiagem”, observa.   

IMPACTO AMBIENTAL

Para o Corpo de Bombeiros do Ceará, mais de 90% são incêndios criminosos. “São fruto da ação humana”, pontua o comandante do 4º Grupamento do Corpo de Bombeiros, tenente-coronel Nijair Araújo.

Diariamente, os focos são registrados por satélites por meio de medição de ondas de calor, segundo monitoramento do Inpe.

O costume do sertanejo e dos agropecuaristas que se repete a cada ano de fazer a limpeza da terra onde os grãos foram cultivados a partir da colocação de fogo nos restos de vegetação e na mata nativa,  que renasceu no período chuvoso (primeiro semestre) precisa ser eliminado a partir de educação cultural.

“A legislação proíbe essa prática que traz impactos para o meio ambiente, empobrece o solo, mas mesmo assim persiste”, diz o ambientalista André Wirtzbiki. “A questão passa por conscientização de todos nós”.

O agrônomo e ambientalista Paulo Ferreira indicou, entretanto, que o modelo de limpeza para o futuro preparo de solo se perpetua para reduzir gastos com a mão de obra no campo, mas que “o agricultor de base familiar em sua maioria abandonou a prática da queimada na roça”.

Ferreira entende que “as queimadas são promovidas para abertura de área para plantio de capim, de pastagem para o gado, por criadores de maior porte”.

Já em áreas isoladas do sertão, segundo análise dos bombeiros militares e de ambientalistas, “o fogo seria ateado por moradores por querer ver o mato queimar, por maldade”.

INCIDÊNCIA DOS CASOS

No decorrer do segundo semestre de 2020, houve registro de vários focos de incêndio em vegetação, tanto no entorno de áreas urbanas quanto em área rural, nas regiões Norte, Centro-Sul e no Cariri.

Em dezembro de 2019, a vegetação seca favoreceu que o fogo destruísse cerca de 2,6 mil hectares de vegetação, no Cariri, entre os municípios de Barbalha e Jardim.

O fogo só foi controlado em janeiro de 2020 e deixou prejuízos ambientais, com danos severos à fauna e à flora. O incêndio reduziu a pó o sustento de dezenas de famílias extrativistas da cultura do pequi. Cerca de 80% da safra foram consumidas pelo incêndio.

DECRETO FEDERAL

Em 2020, mediante o crescimento dos incêndios em matas nativas, no Brasil, e no Ceará, o Governo Federal chegou a editar em julho daquele ano, um decreto proibindo a prática de queimadas em todo o território nacional.

No mesmo período, pela primeira vez, o Governo do Ceará decretou estado de emergência ambiental devido ao maior risco de incêndios florestais e queimadas, no período compreendido entre os meses de julho de 2020 e janeiro de 2021.

A série histórica do Inpe aponta que entre 1998 e 2020, os anos que mais registraram focos de incêndio em vegetação no Ceará foram em 2003 (11.626); 2004 (10.582) e 2002 (8.177).

Já os anos que registram menor quantidade foram 1999 (1.708), 2014 (2.327) e em 2000 (2.224).

O mês com maior índice de queimadas foi dezembro de 2004 (4.816).

De um total de 3.979 focos de queimadas em vegetação no sertão cearense em 2020, apenas 182 foram registrados entre janeiro e julho. A ampla maioria (3.797) ocorreu entre agosto e dezembro.

No período de julho a dezembro de 2020, na região Norte do Ceará, o Corpo de Bombeiros registrou 927 focos de incêndio. A maior incidência ocorreu em agosto daquele ano, 252, seguido de setembro, com 179.

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