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segunda-feira, 28 de junho de 2021

 






“O agronegócio hoje é maior do que era antes. Em tese, o ciclo atual estaria impactando mais, mas os outros setores [como indústria e serviços] estão em uma situação muito pior. O campo ajuda, mas tem muita coisa para resolver nas outras áreas”, diz Alexandre Mendonça de Barros, da consultoria MB Agro.


Pelo Commodity Research Bureau (CRB), índice que acompanha o comportamento dos produtos básicos (como soja, petróleo e minério de ferro), o aumento dos preços desses produtos foi de 51,5% em um ano até maio. No ciclo anterior, o pico havia sido em junho de 2008, com um aumento de mais de 100% na comparação com o início da alta de preços, pouco mais de cinco anos antes. O efeito disso tem se irradiado para o consumo e a renda nas cidades próximas ao campo, que experimentam desde um boom imobiliário – como em Goiânia, onde esse mercado cresce desde 2016 – à falta de máquinas agrícolas devido à alta procura. Mas acaba sendo insuficiente para chegar ao resto do país, como ocorria antes.

Economistas
O ex-presidente do Banco Central Ilan Goldfajn é um dos que acreditam que o boom anterior e o ciclo atual devem ter efeitos diferentes para o país. Se o dos anos 2000 se deu por um aumento de preços pelo forte crescimento da China e dos Estados Unidos, o movimento atual ocorre por uma recuperação cíclica, após uma grave crise, e não é possível prever ainda quanto tempo ele irá durar, diz. “Uma década é suficiente para se espalhar por outros setores, mas o que temos garantida hoje é uma recuperação na saída da Covid-19, que pode durar um ou dois anos. E essa é uma recuperação que acontece de forma desigual ao redor do mundo”, afirma o economista, que hoje é presidente do conselho do Credit Suisse.

Na avaliação do professor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (EESP/FGV) Felippe Serigati, o campo e a agroindústria têm influenciado positivamente a economia e, por mais que o país passe por dificuldades desde a crise 2015 e 2016, as turbulências foram menos traumáticas onde o agro é predominante. “No ciclo passado, a gente teve a sensação de um transbordamento maior, mas estamos operando em realidades diferentes. A indústria tem tido graves dificuldades ao menos nos últimos cinco anos e o setor de serviços apanhou muito durante a pandemia. É como se a gente estivesse esperando que o agronegócio e a mineração resolvessem todos os problemas”, avalia Serigati.

No passado, o boom de commodities também teve como aliados um aumento do crédito e de consumo com ganhos reais dos salários, o que ajudou a aquecer o mercado de trabalho e a espraiar os efeitos do dinamismo do campo. Agora, no entanto, o Brasil passa pela pandemia com recordes seguidos de desemprego, aumento da desigualdade e renda das famílias em queda livre. Como o agronegócio está cada vez mais mecanizado e a mineração gera poucos empregos diretos, esses setores acabam contribuindo diretamente pouco com a redução
da desocupação.


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