Clique aqui na imagem e ouça a Web Rádio ao vivo

Pages

segunda-feira, 7 de junho de 2021

Famílias sofrem com a falta d'água na zona rural de Iguatu, a 2 km de um dos maiores açudes do Ceará

Famílias sofrem com a falta d'água na zona rural de Iguatu, a 2 km de um dos maiores açudes do Ceará

Em outra localidade, “não temos água nem para beber e cozinhar”, segundo a presidente da Associação dos Moradores do Assentamento Mirassu

Em frente a uma caixa d'água/chafariz, famílias mostram baldes vazios, denunciando escassez. Projeto de abastecimento hídrico não foi concluído.
Legenda: Em frente a uma caixa d'água/chafariz, famílias mostram baldes vazios, denunciando escassez. Projeto de abastecimento hídrico não foi concluído.
Foto: Honório Barbosa

Cresce a dificuldade por água em pelo menos duas localidades rurais de Iguatu, na região Centro-Sul do Ceará. “Não temos água nem para beber e cozinhar”. O relato da presidente da Associação dos Moradores do Assentamento Mirassu, Maria José Cardoso, expõe o drama das famílias da localidade. “Pedimos socorro aos gestores municipais”.

As chuvas no município foram boas, superior a mil milímetros entre fevereiro e maio passado. Mas por que falta água para consumo próprio e cozinhar os alimentos se as 18 famílias dispõem de cisternas de placas que acumulam 16 mil litros e deveriam atender uma demanda de quatro moradores por seis meses?

A resposta é simples. Sem outra fonte, as famílias utilizam o recurso hídrico para todas as finalidades: beber, cozinhar, tomar banho, lavar roupas e a casa. Consequência: seis dias após o fim da quadra chuvosa no Ceará, a falta de água já afeta os moradores.

Quem também sofre com a falta d'água são as 38 famílias da Agrovila Ingá, que fica distante apenas 800 metros da bacia do açude Trussu, o maior da região e que acumula cerca de 81 milhões de metros cúbicos, no distrito de Suassurana, zona rural de Iguatu.

No passado, uma rede de distribuição de água foi instalada para as casas e um reservatório elevado foi construído. Mas o projeto nunca foi concluído. “Podemos dizer que estamos com o pé na lama e não temos água em casa”, lamentou o aposentado, José Sales.  

Maria Cardoso retira o que sobrou de água da chuva na cisterna.
Legenda: Maria Cardoso retira o que sobrou de água da chuva na cisterna.
Foto: Honório Barbosa

PROBLEMA ANTIGO

O drama dos moradores do Assentamento Mirassu e da Agrovila Ingá, em áreas distintas da zona rural de Iguatu “infelizmente é um problema que já ocorre há décadas”, lamentou o diretor do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Iguatu, Evanilson Saraiva. “Ações concretas precisam ser realizadas para diminuir o sofrimento dessa gente”.

No Assentamento Mirassu, os moradores aguardam a perfuração de um poço profundo, que é a solução apontada por eles para resolver a escassez de água. “Quatro famílias já foram embora daqui porque não aguentaram o sofrimento da falta de água”, lembrou a dona de casa Maria Cardoso.

O agricultor José Fernandes lembrou que no passado conseguia tirar água do açude com ajuda de um jumento, mas “agora não dá mais porque não há como chegar lá, formou-se uma grota com pedras e sem acesso”. 

 A moradora Marlete da Silva desabafou: “A gente só mora aqui porque não tem para onde ir”. Na semana passada, um caminhão-pipa enviado pela Prefeitura não conseguiu chegar à comunidade “porque a estrada está danificada com as chuvas e caiu num buraco”, contou Maria José. “A nossa situação é desesperadora e só tenho água na cisterna para mais um dia”.

A vila está localizada cerca de mil metros da beira d’água de uma dos maiores açudes do Ceará, mas falta projeto de captação, tratamento e distribuição do recurso hídrico
Legenda: A vila está localizada cerca de mil metros da beira d’água de uma dos maiores açudes do Ceará, mas falta projeto de captação, tratamento e distribuição do recurso hídrico
Foto: Honório Barbosa

ATRASO

Após a construção do açude Trussu, na segunda metade da década de 1990, moradores da bacia do reservatório que tiveram suas terras cobertas pela água, foram removidos para projetos de agrovilas.

A agrovila Ingá é um desses assentamentos. Duas décadas e meia depois, os projetos produtivos e de abastecimento de água para as famílias não foram concluídos.

A vila está localizada cerca de mil metros da beira d’água de uma dos maiores açudes do Ceará, mas falta projeto de captação, tratamento e distribuição do recurso hídrico.

A agricultora Edilene Braga lamenta e revela o contraste: “A gente continua dependendo do caminhão-pipa”. A dona de casa, aposentada, Marta Vicente Martins, lembra que ainda tem um pouco de água da cisterna que captou da chuva, mas observa que usa o recurso hídrico para todas as necessidades. “Com essa pandemia piorou tudo, com certeza, porque precisamos ter as coisas mais limpas”.

ESCLARECIMENTOS

O assessor técnico da Prefeitura de Iguatu, engenheiro, Marcos Ageu Medeiros, disse que “operários e máquinas vão trabalhar para melhorar o acesso à localidade de Ingá e que o projeto do poço profundo já foi aprovado e será perfurado em breve pelo Dnocs (Departamento Nacional de Obras contra a Seca)”.

Marcos Ageu disse ainda que há projetos para instalar um sistema de abastecimento local para a agrovila Ingá. “Vamos captar por bombeamento água do Trussu, que será tratada e distribuída aos moradores”

Share:

0 comentários:

Postar um comentário

Redes Sociais

. Twitter Google Plus Email Twitter Facebook Instagram email Email

As Mais Lidas do Site

Mudas Frutíferas

Sebrae

Assembleia Legislativa do Estado do Ceará

Blog do Rogério Gomes

Olhar Munipal com Fábio Tajra

Acordeon para iniciantes

Tempo Agora em Fortaleza

Ouça no Rádios Net

Total de visualizações do Site