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quarta-feira, 28 de abril de 2021

Dia Nacional da Caatinga: especialista ressalta importância do bioma 100% brasileiro

 Por Yuri Silva

Foto: Associação Caatinga

Nesta quarta-feira (28/04), o Brasil celebra o Dia Nacional da Caatinga, data importante para destacar a diversidade, a vivacidade e a beleza deste bioma. A Caatinga carrega a história do Nordeste. Os galhos secos e o clima semiárido viraram marca de uma terra que, junto do seu povo, sofre com duros períodos de seca.

Mas se os nordestinos aprenderam a se reinventar com essas dificuldades, as espécies que habitam o bioma tiveram que transformar as adversidades em ferramentas de sobrevivência. “A vegetação da Caatinga apresenta germinação e crescimento inicial rápidos, o que também é uma adaptação à instabilidade climática da região”, explica a professora Debora Praciano, mestre e doutora em Ecologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC).


Foto: Associação Caatinga

Mata Branca esquecida

Caa para branca, tinga de branca. Mata Branca. Foi assim que os índios do grupo tupi batizaram a terra que os impressionou com o pouco de cor visto na paisagem, que passava por uma forte estação seca. A visão de um local seco e árido fez que, por muitos anos, os estudiosos acreditassem que ele era pobre em biodiversidade.

“Até a década de 70, a Caatinga era considerada como uma região pobre em diversidade de espécies e endemismos, isso foi problemático em muitos aspectos, visto que o número de estudos sobre a biodiversidade da região é bem menor do que a média encontrada para outros Domínios Morfoclimáticos brasileiros e porque isso acarretou uma marginalização política da região, que é demonstrada claramente no número de Unidades de Conservação (UC’s) que temos por aqui.”

A discriminação em relação a vegetação no passado tem efeitos até os dias atuais. O bioma, que cobre cerca de 11,67% do território brasileiro (incluindo, além dos estados nordestino, o norte de Minas Gerais), é o mais ameaçado e transformado pela ação humana, de acordo com a Associação Caatinga. Apenas 7,5% da Caatinga está sendo preservada atualmente, e o número baixo de Unidades de Conservação (UC’s) é uma das principais causas do descaso.

Ararinhas-azuis, espécie em extinção no Brasil. Foto: ACTP

Mata de todas as cores

Não há dúvidas de que o clima semiárido é uma das principais marcas do bioma, e parte de suas características mais únicas é resultado dele. Debora explica que a presença de estruturas vegetais como xilopódios, cladódios e intumescências caulinares (que acumulam reservas para o período seco) e a presença de espinhos foram causados pelas chuvas irregulares e temperaturas elevadas.

Mas é necessário destacar a grande diversidade de espécies presente na Caatinga. São, ao todo, 3.200 espécies de plantas, 371 de peixes, 224 de répteis, 98 de anfíbios, 183 de mamíferos e 548 de aves de acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O órgão ainda cita duas espécies de aves em perigo de extinção: a ararinha-azul e arara-azul-de-lear. Dessa forma, é importante usar esta data para reafirmar a necessidade de uma maior conservação deste bioma, que é o único 100% brasileiro.

“Para contornar problemas como o desmatamento e perda de habitat, assoreamento dos rios e uso desordenado de recursos hídricos, desertificação, mudanças climáticas,  é essencial que sejam lançadas políticas públicas de incentivo à criação de Unidades de Conservação e restauração de ecossistemas, que haja um esforço maior relacionado a conservação de espécies através do investimento em pesquisa”, declara Debora.

A noticia CE

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