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segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Profetas da chuva reunidos em Quixadá mantêm otimismo para quadra chuvosa do Ceará em 2021

 Profetas da chuva reunidos em Quixadá mantêm otimismo para quadra chuvosa do Ceará em 2021

As análises dos agricultores e observadores da natureza herdadas dos pais divergem das previsões meteorológicas para o período de fevereiro a maio

Legenda: As análises dos agricultores e observadores da natureza representam ofício herdado dos pais
Foto: Márcio Guedes

Um grupo de 12 profetas da chuva - observadores da natureza, reunidos no fim da manhã deste sábado (23), em Quixadá, no Sertão Central, apontou em sua ampla maioria um período chuvoso acima da média histórica para o período que compreende fevereiro a maio. O evento ocorre há 25 anos e na atual edição, por causa da pandemia, reuniu 50% de participantes em comparação com encontros anteriores.

O coordenador e um dos fundadores do evento, Hélder Cortez, observou que as previsões apresentadas na manhã de hoje coincidem com as observações de encontros anteriores em Orós, no último dia 6, e de Tauá, realizado de forma online no dia 8 passado. “São previsões otimistas, mas com maior tendência para que as chuvas comecem de forma mais intensa a partir de março”, pontuou.

Hélder Cortez ressaltou que as previsões populares “não sofrem influência do que foi divulgado pela ciência” - o prognóstico das agências de meteorologia – que apontam para o Ceará maior tendência de chuva acima da média para a região norte e abaixo da média para a porção central e sul do estado.

A única mulher a participar do encontro de Quixadá, Lourdes Leite (Lurdinha) afirmou que “a experiência é boa e vai chover muito”. Francisco Batista espera que já a partir de fevereiro as chuvas cheguem  ao sertão e vão continuar em março e abril. “Em maio já não teremos mais chuva”, disse.

O agricultor e observador José Freire acredita em “chuvas irregulares, mas com boas chuvas em março” e lamentou “a agressão que é feita contra a natureza”.

Para o poeta Erasmo Barreira “não há porque se desesperar porque vai chover muito a partir de 20 de fevereiro”. O agricultor e observador Josué Viana disse que aprendeu com os pais a acompanhar os astros e que “neste ano vai ser bom e vai fazer muita água”.

Renato Lino apresentou uma casa do pássaro João de Barro e explicou que “foi feita com a entrada virada para o poente” e mostrou também uma cabaça com sementes que significa outro bom sinal. “Vamos ter um inverno ótimo a partir do fim de fevereiro”.

Outro poeta que acredita em um período de chuva acima da média, mas tardio é José Irismar. Ele observa as estrelas. “A partir de fevereiro, nós teremos bastante chuva”.

João Soares é um dos fundadores e organizadores do evento e reforçou uma preocupação presente entre os profetas e dirigentes do encontro. “Precisamos manter essa cultura, essa sabedoria popular entre as novas gerações se não vai se acabar com os profetas já idosos e morrendo”, pontuou. Sobre a previsão para a próxima quadra chuvosa disse acreditar “em muita chuva”.

Hélder Cortez esclareceu que “a visão do profeta, as suas experiências somente têm valor local, não pode ser aplicada para outras regiões”.

O dentista e observador da natureza que herdou os ensinamentos e experiência do pai, Paulo Costa, por problemas de saúde não compareceu ao evento de hoje, mas adiantou que “as chuvas serão melhores a partir da segunda quinzena de março”.

A voz discordante do encontro foi do profeta Venceslau Batista ao afirmar que o Sertão Central “terá um inverno ruim, muito irregular, com chuvas chegando com mais força em fevereiro, mas termina logo em março”.

José Irismar é o único a se basear em indicadores utilizados pelos meteorologistas e mostrou preocupação com a temperatura das águas superficiais do Oceano Atlântico Tropical que permanece mais fria do que a porção norte. “Se continuar assim, não vai atrair a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e as chuvas serão fracas”.  

Meteorologia

A previsão acerca da quadra chuvosa (fevereiro a maio) no Ceará divulgada no último dia 20 pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) para o trimestre fevereiro, março e abril deste ano indica 50% de probabilidade para chuvas abaixo da média para o Ceará.

O prognóstico aponta 40% de chances de precipitações em torno da normalidade e 10% na categoria acima da normal climatológica. Se as previsões forem confirmadas, o acumulado médio não deve ultrapassar 433,1 milímetros nos três meses, em média.

Os meteorologistas observam, entretanto, que o cenário previsto vai depender do comportamento da temperatura das águas superficiais do Oceano Atlântico Equatorial e Sul Tropical que por ser uma bacia pequena em relação ao Pacífico sofre mudanças em período curtos em torno de 30 dias. “Isso requer um monitoramento frequente”, advertiu o presidente da Funceme, Eduardo Sávio Martins.

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