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quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Produção de uva aponta para retomada de crescimento no Ceará

Produção de uva aponta para retomada de crescimento no Ceará

Os bons volumes pluviométricos dos últimos dois anos, melhoramento genético de sementes realizado pela Embrapa e acompanhamento técnico são fatores que favoreceram o retorno da cultura que estava em baixa no Estado

uva
Legenda: Apesar de o investimento inicial ser alto, o retorno financeiro, segundo os produtores, é elevado
Foto: Antonio Rodrigues

A produção de uvas no Ceará, que foi iniciada ainda de forma tímida no fim da década de 1980, em Baturité e Tauá, cresceu ao ponto de alcançar 209 hectares em 2010, tendo Brejo Santo, no Cariri, como seu maior produtor (155 ha). A queda no volume das chuvas, no entanto, fez este setor ser abandonado por muitos agricultores. No ano passado, o retorno das boas precipitações reanimou os produtores que, com apoio da Embrapa, retomaram a cultura. Em apenas dois anos (2019 e 2020) a área de plantio já cresceu cinco hectares em comparação a 2018, segundo dados do IBGE. Para 2021, a estimativa é de continuidade na expansão.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) tem protagonismo nessa retomada. Ela desenvolveu uma nova variedade de cultivo da uva, batizada de 'Vitória', sem semente e ofertou aos produtores. Em Mauriti, o agrônomo Antônio Leite Araújo, 50, tentou investir no cultivo da uva por nove anos (2002-2011), mas foi vencido após baixa na produção. Agora, com a nova variedade, resolveu apostar novamente e tem colhido bons resultados. "A variedade que tinha na época, a Itália, dava muita mão de obra e era mais suscetível a doenças. Como perdia a safra com facilidade, a banana passou a ser mais interessante pra mim", lembra.

O investimento atual para plantio de uva em um hectare é de R$ 40 mil, cujo lucro estimado da primeira safra está em R$ 50 mil. Diante dos bons resultados, ele planeja ampliar a produção para 5 ha até 2025.

Expansão

O município de Barbalha é outro que está na rota do crescimento. Em 2014, eram apenas cinco hectares, hoje possui a maior área plantada do Ceará, com 11 hectares. O agricultor José Edelmo dos Santos, 35, foi um dos que aproveitou os últimos dois anos com boas chuvas no Sertão para ampliar a produção. "Com dez meses, já estava colhendo. Consegui tirar 80 caixas de 20 quilos. Até agora tá dando certo, vou ter retorno", enfatiza. Cada caixa de 20 quilos é vendida entre R$ 90 a 100.

Além das sementes geneticamente melhoradas que favorecem os produtores de regiões mais secas, como o Ceará, eles contam com acompanhamento específico. Técnico em agropecuária, Francisco Iran de Andrade contabiliza 12 produtores assistidos em Barbalha. "Ela (a uva trabalhada na região) é mais voltada ao consumidor final, porque não tem semente. É doce. O consumo de água também diminui em relação às outras culturas, como banana, coco, e é feita por gotejamento", detalha.

Em Russas, no Vale do Jaguaribe, o regresso da cultura já se faz notável. O mercado do Município, que soma cinco hectares, atende 80% o consumidor local e cerca de 20% segue para Fortaleza. A demanda, no entanto, tem sido maior que a oferta, o que sugere projeção de crescimento para os próximos anos.

"Não tem como atender municípios vizinhos, por isso, tem margem para crescer. Espero plantar mais três hectares", antecipa Marciano Bezerra. Lá, a caixa de 20 quilos da variação Vitória é vendida a R$ 100, já as demais ficam por R$ 80. "A uva é uma cultura que a vida útil dela é de vários anos. Comercialmente rende por 14 a 15 anos", exalta o produtor, ao mostrar-se otimista.

Pesquisa

Coordenador do Programa de Melhoramento Genético Uvas do Brasil da Embrapa Uva e Vinho, no Rio Grande do Sul, João Dimas Garcia Maia, explica que estas espécies que têm feito sucesso no Nordeste, como a Vitória, Isis e Núbia, são fruto de um trabalho de melhoramento genético de mais de 40 anos, porém, só foram apresentadas e lançadas em 2013. Nos últimos anos, chegou ao alcance dos produtores cearenses. "Estas variedades se adaptaram bem a diferentes climáticas, mas no Semiárido se destacam ainda mais, porque no clima mais seco pode até ter duas safras e meio. A planta, ao contrário do que muita gente pensa, precisa de muito sol, muita luz e água, mas só no solo para irrigação".

A Embrapa, hoje, fornece estas variedades aos viveiros de mudas credenciados e licenciados, que recebem as plantas originais, com boa sanidade para multiplicar e vender direto ao produtor.

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