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sábado, 12 de setembro de 2020

Crato ganhará nova Unidade de Conservação com proposta de "buscar equilíbrio entre natureza e homem"

 Crato ganhará nova Unidade de Conservação com proposta de "buscar equilíbrio entre natureza e homem"

O local, vizinho ao Parque de Exposição Pedro Felício Cavalcanti, terá quase 7 hectares de área de preservação e será a oitava UC dentro do Município

Legenda: A criação da UC trará benefícios como regulação do microclima local e qualidade do ar, controle de erosão e fertilidade do solo
Foto: Antonio Rodrigues

O Crato está prestes a ganhar uma nova Unidade de Conservação (UC) dentro da sua área urbana. Se trata da Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) Riacho da Matinha, que compreende 6,94 hectares, vizinho ao Parque de Exposição Pedro Felício Cavalcanti, onde acontece a tradicional Expocrato. Um dos objetivos da criação é a "busca do equilíbrio entre sistemas naturais e antrópico".

Uma Consulta Pública para subsidiar e definir a localização, dimensão e os limites da UC está prevista para acontecer no próximo dia 21, às 10h, na reunião Conselho do Geopark Araripe. O encontro aconteceria no último mês de março, mas por conta da pandemia da Covid-19 precisou ser adiado. Qualquer pessoa, física ou jurídica, inclusive entidades da sociedade civil, poderão encaminhar suas contribuições, por meio de formulário eletrônico, no link disponibilizado no site da Secretaria de Meio Ambiente do Estado (Sema). 

Interesse  

A ideia de criar a UC do Riacho da Matinha começou com a visita do secretário de Meio Ambiente do Estado, Artur Bruno, durante a assinatura de criação da Refúgio da Vida Silvestre (Revis) Soldadinho do Araripe, em julho do ano passado.

A gente vislumbrou a possibilidade de fazer, a exemplo o que acontece no Parque do Cocó, dentro do Parque de Exposição um local para as famílias estarem visitando, preservar e reorganizar o trecho do riacho dentro dele”, lembra o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Territorial de Crato, Brito Júnior.   

A gestora da Conservação da Diversidade Biológica (Cedib/COBIO), da Sema, Andréa Moreira, ressalta que a área tem características interessantes, como sua biodiversidade. “Fragmento florestal predominantemente da mata seca do sedimentar, com presença de mata ciliar e diversidade de espécies vegetais — 73 pertencentes a 31 famílias botânicas — e espécies da mastofauna, avifauna e herpetofauna, incluindo área de entono”, descreve.  

Outro atrativo é a conectividade com outras áreas protegidas, que incluem UC’s de proteção integral e uso sustentável em diferentes níveis de gestão, Federal, Estadual e Municipal. Ao todo, atualmente, o território do Município conta com sete. “A diversidade biológica da área presta importantes serviços ecossistêmicos de suporte e regulação em meio a área urbanizada”, completa Andréa.  

Legenda: Todos os esgotos que cortam o local serão condensados para ser devolvidos a natureza apenas o resíduo tratado
Foto: Antonio Rodrigues

Para a gestora, a criação da UC trará diversos benefícios, como a ciclagem de nutrientes, ciclagem da água, regulação do microclima local e qualidade do ar, controle de erosão e fertilidade do solo.

“Busca do equilíbrio relativo entre sistemas naturais e antrópicos, melhor qualidade de vida à população, mantém a biodiversidade para o desfrute da comunidade científica e a sociedade civil e insere um novo espaço de lazer e educação ambiental abertos à população”, enumera.
  

Após a realização da consulta pública, o processo segue para a Procuradoria Geral do Estado e posteriormente, Casa Civil para a publicação do ato de criação da UC, que será em âmbito estadual. A gestão da ARIE Riacho da Matinha deve ser feita por um conselho gestor com representação paritária entre o governo e a sociedade covil.  

Revitalização 

Um dos desafios para a nova UC é a poluição no Riacho da Matinha, que recebe esgoto dos bairros vizinhos. Porém o Município planeja, ainda neste ano, efetivar o funcionamento de uma estação de tratamento que já existe no bairro Pantanal, acima da área da UC.

“Todos os esgotos serão condensados ali para ser devolvidos a natureza apenas o resíduo tratado, em condições de correr, como forma de revitalizar o riacho e garantir a manutenção das espécies viventes”, antecipa Brito.  

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