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quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Avicultura cearense quer ampliar em dez vezes a produção e exportar

Avicultura cearense quer ampliar em dez vezes a produção e exportar

Conclusão da Transnordestina e estímulo ao transporte entre portos nacionais são determinantes para alcançar a meta, avalia presidente da Aceav. Medidas são necessárias para destravar dificuldades de abastecimento de grãos



Legenda: Estado produz 6 milhões de quilos de carne de frango por semana e outros 6 milhões de ovos diariamente, segundo a Aceav
Foto: Foto: José Leomar
A criação de aves para a produção de alimentos, principalmente carne e ovos, representa hoje a terceira maior produção agropecuária do Ceará. Mesmo com a já evidente importância para a economia local, o segmento da avicultura ainda almeja aumentar a produção em dez vezes e começar a exportar, objetivos travados por problemas de abastecimento de grãos e de logística.
João Jorge Reis, presidente da Associação Cearense de Avicultura (Aceav), aponta que o segmento no Ceará tem todos os elementos necessários para crescer exponencialmente, menos os insumos. Ele revela que a atividade pretende atender à demanda interna integralmente - os atuais seis milhões de quilos de aves produzidos por semana correspondem a apenas 50% da necessidade do mercado local atualmente -, assim como iniciar a exportação.
Para começar a enviar os produtos a outros países, ele estima que a produção teria de ser aumentada em cerca de dez vezes. Mas, a dificuldade de acesso a grãos e a cara logística para garantir o abastecimento deles são apontadas por Reis como o principal gargalo para a ampliação da atividade, impedindo-os de alcançar as metas propostas. Não sendo um grande produtor de milho, o Estado depende da produção de outros entes federados para compor a alimentação dos animais.
"Acaba vindo de outros estados produtores de grãos, Centro-Oeste, Tocantins, Maranhão, entre outros. Mas a logística para trazer nos impede que sejamos competitivos na hora de exportar, pois agrega custo. Empreendedorismo se tem muito, água tem, terra tem, localização propícia para a exportação tem, temos tudo, só não temos o grão", explica Reis.
O presidente da Aceav ainda detalha que a falta de opções para o transporte agrava o cenário. "A logística está deficiente. Não temos ferrovia e praticamente não temos cabotagem. Nossa esperança é que a Transnordestina saia, pois ela parte de um centro produtor de grãos. E o desenvolvimento da cabotagem também, para trazer de outros locais", diz.

Milho

Flávio Saboya, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), endossa a problemática do acesso ao milho. Ele relata que o grande fornecedor do grão para o pequeno e médio produtor é a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), através do Programa Venda em Balcão (ProVB).
"Mas temos encontrado dificuldades, porque os armazéns da Conab não estão devidamente abastecidos, como acontecia no passado. E o pior: o preço tem crescido de forma significativa. De certa forma, vem esse prejuízo para esses produtores", afirma.
Ele revela ainda que quase todo o milho produzido no Ceará é para consumo de animais das próprias fazendas que o plantam, para autossustentação do negócio, com exceção de pequenos volumes produzidos no Cariri e no Sul do Estado.
A Conab informou que nesta semana disponibilizaria 4,5 mil toneladas (t) de milho ao Estado, sendo 2 mil t para a unidade de Crateús, 1 mil t para Sobral e 1,5 mil t para Tauá. A instituição ainda realizou na última segunda (17) novo leilão que destinará mais 2,4 mil t para as unidades de Iguatu e Morada Nova. Conforme o comunicado, o desabastecimento em três das dez unidades ocorreu por problemas da transportadora. Cerca de 3,95 mil produtores cearenses são cadastrados no ProVB.

Modernização

Apesar das dificuldades, o setor vem avançando e se modernizando. João Jorge Reis revela que o setor vem deixando de lado alguns aspectos mais tradicionais do negócio e entrando em sintonia com técnicas mais avançadas. É o caso do frango para corte.
"Nós tínhamos uma tendência do frango abatido na hora, o que a gente chama de frango quente, que não leva gelo. Isso continua sendo uma forte característica do consumidor, de querer o frango sem esse tratamento, mas a industrialização tem crescido", aponta. Ele estima que esse "novo mercado" tem avançado na ordem de 30%, incluindo o frango inteiro e em cortes.
"Tem crescido o número de abate para refrigeração, começamos a atingir uma nova demanda", pontua. Reis ainda detalha que esse tipo de produto é o mesmo que vem congelado de outras regiões.
A atividade no Ceará, atualmente, produz 6 milhões de ovos diariamente, de acordo com o presidente da Aceav. Desse total, 90% ficam no Estado e os outros 10% ajudam a abastecer os estados do Norte e Nordeste.

Recuperação

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes ao primeiro trimestre deste ano - último dado disponível -, o Ceará realizou o abate de 6,96 milhões de cabeças, o que corresponde a um crescimento de 28,96% em relação a igual período do ano passado.
Os abates somaram 12,74 milhões de quilos, uma alta de 13,15%. Entre os ovos, 8,36 milhões de galinhas poedeiras geraram 615,6 milhões de unidades, um avanço de 3,14% ante 2019. Os indicadores, no entanto, levam em consideração apenas dados informados por cinco produtores para abate e por 37 para ovos.
Saboya comenta, entretanto, que os avanços registrados na produção nada mais são que o retorno aos níveis anteriores aos cinco anos de seca pelos quais passou o Ceará. "Esses anos de seca levaram a uma estagnação grande dessas atividades. O que nós temos, muitas vezes, no momento é a retomada daquilo que produzíamos no passado. É mais representativo essa recuperação da produção do que efetivamente algo de crescimento da avicultura por questão de produção de milho ou algo parecido", argumenta o presidente da Faec.
No entanto, ele reconhece a importância da atividade e destaca que a avicultura está atrás somente da produção de leite e da ovinocaprinocultura. "É muito importante para o desenvolvimento do Estado", afirma Saboya, ressaltando que já há grandes empresas genuinamente cearenses, bem como a produção familiar, que, conforme ele, vem crescendo também.
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