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sexta-feira, 17 de setembro de 2021

SEMA capacita brigadistas em Sobral

A Secretaria do Meio Ambiente (SEMA), por meio do Programa de Prevenção, Monitoramento, Controle de Queimadas e Combate aos Incêndios Florestais (PREVINA) capacitou colaboradores da Agência Municipal do Meio Ambiente de Sobral – AMA como Brigadistas Florestais de prevenção e combate a incêndios. O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará apoiou esta capacitação tão importante para o cenário de adversidade climática do segundo semestre.

Na abertura do curso esteve presente o superintendente da AMA de Sobral, Erlânio Matoso de Almeida, representando a Prefeitura Municipal.

O técnico Leonardo Borralho, coordenador do PREVINA no âmbito da SEMA, esteve à frente dos trabalhos de instrução prática de combate a incêndio, juntamente com os instrutores Lourival Carvalho (Sema), Tenente Loreto (Corpo de Bombeiros) e João Rafael Muniz.

O curso prossegue até o dia 17 de setembro, com carga horária de 40 horas/aula. As instruções teóricas realizaram-se dia 13, no Centro de Convenções e as atividades práticas terão lugar no Horto Municipal de Sobral localizado no Serrote da Piaba, Distrito de Bonfim.

A Agência Municipal do Meio Ambiente (AMA) realizou anteriormente, dia 9, no Parque da Cidade, o Teste de Aptidão Física (TAF) para os servidores inscritos. Os 26 candidatos tiveram que fazer um percurso de 2.400 metros carregando a bomba de água de 24 litros, em até 30 minutos, para finalizar o teste.

A brigada municipal será composta por servidores da autarquia (AMA), para desempenhar as atribuições de brigadista florestal. A brigada de prevenção e combate a incêndios exercerá suas atribuições, prioritariamente, nas dependências da AMA, bem como em parques, praças, jardins e unidades de conservação de responsabilidade do órgão ambiental.

 

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Pesquisa avalia tomateiros mais adaptados ao cultivo em fazenda vertical

 Foto: Diego Gomes

Diego Gomes -

Linhagens selecionadas no âmbito do programa de melhoramento genético de tomateiro da Embrapa Hortaliças (Brasília, DF) serão avaliadas quanto ao desempenho produtivo no cultivo em ambiente controlado e fechado, isto é, em sistemas de agricultura indoor do tipo fazenda vertical.

A pesquisa é fruto de um contrato de cooperação técnica entre a Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a empresa 100% Livre, que opera uma fazenda vertical no centro da cidade de São Paulo com foco no comércio varejista de hortifrútis. Além da analisar o potencial produtivo, os experimentos devem comprovar a adaptação das linhagens ao sistema de produção indoor, bem como a viabilidade econômica da produção de tomate em fazendas verticais.

Os ensaios experimentais serão realizados em condições de ambiente protegido indoor, com uso de hidroponia e iluminação artificial, em uma Unidade de Observação instalada na fazenda vertical da empresa localizada em São Paulo. A expectativa da equipe do projeto é que, ao final dos estudos, com duração estimada em 12 meses, seja possível planejar o desenvolvimento de uma variedade de tomateiro específica para o plantio em fazendas verticais.

O pesquisador Leonardo Boiteux explica que o objetivo principal é identificar materiais mais produtivos e de melhor qualidade, considerando as peculiaridades do cultivo em um ambiente controlado. “Como a fazenda vertical é um sistema hermético, permitindo isolar de maneira efetiva a entrada de doenças e pragas, não há necessidade de se preocupar em desenvolver variedades resistentes, como seria caso o cultivo fosse em campo aberto. Nesse cenário, o foco tem sido incorporar genes relacionados a aspectos de qualidade do fruto como coloração intensa, textura adequada, durabilidade pós-colheita e melhor equilíbrio entre ácidos e açúcares, para obtermos um fruto bem saboroso”, assinala.

A arquitetura da planta é outro fator importante, visto que o cultivo em camadas ou andares, como ocorre em fazendas verticais, inviabiliza o cultivo de variedades de tomate de porte convencional e com hábito de crescimento indeterminado. Por isso, as linhagens que serão analisadas no âmbito do projeto possuem um porte compacto, com crescimento determinado e entrenós curtos, que significa um espaço pequeno entre as folhas da planta e os cachos com frutos. “Buscamos a combinação de dois genes que condicionam um porte mais compacto da planta, com uma arquitetura similar a um buquê de flores, ao ciclo curto de produção”, ressalta o pesquisador.

O ciclo de produção do tomate plantado em campo aberto, do plantio até a colheita, varia entre 90 e 100 dias. As linhagens que serão testadas em condições de fazenda vertical apresentam um ciclo de produção de 60 dias e, de acordo com o pesquisador, a proposta é desenvolver cultivares ainda mais precoces. “Conseguir múltiplos ciclos por ano é importante para otimizar a estrutura da fazenda vertical e tornar o cultivo do tomateiro economicamente viável dentro desse sistema de produção”, pondera Boiteux.

O empresário Diego Gomes, que lidera o empreendimento da 100% Livre, comenta que, em tese, nem tudo que apresenta bons resultados no campo ou na hidroponia convencional funciona de maneira adequada nas condições da fazenda vertical.

“No caso das cultivares convencionais de tomate, por exemplo, a produtividade apresentou bons parâmetros, mas a dificuldade com o manejo das plantas não favoreceu a adoção dessas cultivares em um ambiente de cultivo protegido e vertical”, observa. Ele ainda acrescenta que as linhagens de tomateiro da Embrapa previstas para os ensaios experimentais são muito promissoras em termos de arquitetura da planta, produtividade e qualidade do fruto.

Modelos para produção indoor

A Embrapa e a 100% Livre já vêm atuando em parceria há cerca de dois anos para desenvolver modelos para produção de hortaliças em fazendas verticais. Na primeira etapa da pesquisa, lideradas pelo pesquisador Ítalo Guedes, foram elaborados sistemas de produção para diferentes espécies de hortaliças, mas com maior foco em folhosas, como alface e rúcula; e hortaliças condimentares, como manjericão, coentro e salsa.

Do ponto de vista do mercado, a escolha das espécies cultivadas é uma etapa importante da pesquisa científica, pois hortaliças com alto valor agregado e ciclo de produção mais curto, com várias safras ao ano, garantem a viabilidade econômica do empreendimento.

“Com o bom desempenho do cultivo de espécies folhosas, constatamos junto aos consumidores uma oportunidade de ampliar nossa variedade de produtos. Diante disso, o tomate é um fruto de alto valor agregado, daí o interesse em uma parceria com a Embrapa para obter cultivares específicas para cultivo em fazenda vertical”, aponta Gomes, que também vem testando o plantio de outras espécies lucrativas como morango, uva, pimentão, pitaya e avocado.  

Paula Rodrigues (MTB 61.403/SP)
Embrapa Hortaliças

Contatos para a imprensa

Telefone: (61) 3385-9000

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Crateús: Ematerce faz visita à unidade em Independência e firma parceria com o município

As visitas fazem parte de uma ação estratégica coordenada com o objetivo de trazer resultados junto aos municípios

A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce) de Crateús esteve ontem, (14), no município de Independência. Um dos objetivos da visita foi a aproximação da diretoria regional com a diretoria local, a fim de reforçar o trabalho em equipe de forma coordenada com foco na eficiência das ações estratégicas do órgão.

Equipe da Ematerce de Crateús em visita no município de Independência.

A disponibilidade de pessoas para auxiliar em alguns programas da Ematerce no município como o Seguro Safra, na distribuição de sementes do Programa Hora de Plantar, entre outros benefícios.

Parcerias

Durante a passagem da equipe da Ematerce no município de Independência, a equipe de técnicos e gestores da regional fizeram uma vista ao prefeito do município, Waldir coutinho e ao secretário de agricultura, Eduardo Lacerda onde trataram de parcerias com o objetivo de melhor atender os agricultores do município através de ações da Ematerce.

“A nossa conversa com a prefeitura foi produtiva, conseguimos, em parceria com o município de Independência uma forma de melhor atender os agricultores. Nosso intuito é que a Ematerce chegue até os produtores e não os produtores venham até nós. Assim conseguimos resolver muitos problemas das comunidades, inclusive o do deslocamento que é uma das barreiras de acesso.”, comenta o técnico da Ematerce de Crateús Edivaldo Costa.



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#Aprovado: Projeto que cria postos de vacinação permanentes nos terminais de ônibus é aprovado na Câmara Municipal



Após aprovação na Câmara Municipal de Fortaleza, segue para avaliação do Prefeito José Sarto, o projeto indicativo de número 986/2021 que autoriza a criação de postos de vacinação permanente nos terminais de ônibus da capital.

A iniciativa, de autoria do Vereador Marcelo Lemos (PSL), vem de encontro a uma antiga reinvindicação popular que cobra do Poder Público alternativas para ampliação de postos para imunização contra várias doenças virais e demais campanhas de vacinação.

“O Poder Público tem o dever de ouvir o povo e compor estratégias pra melhorar a qualidade de vida das pessoas”. – Vereador Marcelo Lemos.


Ascom/FT

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quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Jardim – CE: Ematerce ministra curso sobre cultura do milho para técnicos

 

O Engenheiro Agrônomo, Hernane Rocha, assessor da Ematerce no Crato-CE orientando os técnicos.

No início de setembro de 2021, o Posto Avançado da EMATERCE – Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará, de Jardim-CE, na região do Cariri do Cearárealizou um curso sobre a cultura do Milho Hibrido, para os técnicos e bolsista Agentes Rurais.

O curso sobre a cultura do milho orientou os técnicos desde a escolha da semente até os desperdícios na colheita.

Foram abordadas, durante a capacitação, pelo Engenheiro Agrônomo da Ematerce, Escritório Regional do Crato – CE- Hernane José Alves Rocha, as orientações técnicas que devem ser repassadas aos agricultores. A escolha das sementes, o preparo do solo, plantio, (quer de sequeiro ou irrigado), espaçamento, combate às pragas e doenças, o uso do Bt (Bacillus Thuringiensis), adubação e como evitar o desperdício durante a colheita.

Foi enfatizado também, que a EMATERCE trabalha com sementes de milho híbrido e milho variedade, distribuídas pelo Programa “Hora de Plantar”, exercício de 2021. Foram distribuídas, em Jardim – CE, 32.300 quilos de sementes de milho híbrido e 100 quilos de sementes do milho variedade, para beneficiar 2.180 agricultores familiares. Foram distribuídas 233 doses do Bts, para 24 produtores, com realização de demonstrações práticas para o combate a lagarta do cartucho.

ematerce.ce

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Mal- do- Panamá: é possível conviver com a doença que afeta as plantações de banana.

Aspecto do pseudocaule da bananeira afetado pelo mal-do-Panamá.

O Mal-do-Panamá é uma doença que afeta a cultura da banana, em todos os Estados do Brasil, diminuindo substancialmente a produção e a produtividade da fruta. No Estado do Ceará, a  incidência dessa doença é importante, causando preocupação aos técnicos da Ematerce e aos pequenos produtores assistidos. O Ceará é o sétimo maior produtor de banana do Brasil e o 17º em produtividade das várias variedades, conforme  informação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Trata-se, porem, de uma atividade agrícola que se destaca na geração de emprega e renda.

Ainda segundo o IBGE, no Ceará a área plantada  é de 36.273 hectares sendo, 24.352 hectares sequeiro (rendimento de 5.591quilos por hectare)   e 11.921 hectares irrigados ( rendimento de 23.452 quilos por hectare). A cultura da banana é cultivada em todo o Estado do Ceará, com destaque nas regiões de Jaguaribe, Cariri Leste, Centro Sul, Maciço de Baturité e Ibiapaba.

Planta da bananeira afetada pelo mal-do- Panamá. A planta está morta e as folhas secas e caídas.

O Assessor de Fruticultura da Ematerce, Engenheiro Agrônomo, Egberto Targino afirma que: num passado não muito distante essa doença causava muitas dúvidas ao produtor que tinha a intenções de iniciar um plantio de banana. Tratava-se, pois, de um problema fitossanitário de proporções graves e carentes de informações para solucionar o problema.

O Mal-do-Panamá é uma doença que afeta alguns cultivares de bananas, de um modo  especial a banana maçã e também, as variedades prata e pacovã. As plantas são atacadas em “reboleiras”, reduzindo a produção, morrendo e, por fim, inviabilizando a exploração.

Engenheiro Agrônomo Egberto Targino, Assessor Estadual de Fruticultura da Ematerce.

O agente causador é um fungo conhecido como “Fusarium oxysporum”. É um conhecido fungo de solo que se manifesta na medida em que o bananal vai se estabelecendo. No caso específico da banana maçã é muito comum o bananal morrer muito cedo, às vezes colhe-se somente um cacho, sendo que outra área já tem que ser plantada.

Dois sintomas da doença apresentam-se como bem característicos na cultura da bananeira: a) as folhas mais velhas murcham, secam e se quebram junto ao pseudocaule, deixando a planta no formato de um guarda-chuva fechado; b) muito característico da doença também é o aparecimento de uma coloração avermelhada na parte interna do pseudocaule. Outros sintomas também vão aparecendo como redução do tamanho do cacho e por fim, morte das plantas.

Continua o técnico da Ematerce, Egberto Targino, “para minimizar os danos causados pela doença podem ser adotadas  algumas  medidas, como: escolher solos férteis e com um adequado teor de matéria orgânica, plantar mudas comprovadamente sadias, cultivares resistentes à doença e que atendam ao gosto do consumidor, desinfetar a ferramenta de colheita, manter o solo com o pH próximo a 7 e o teor de alumínio adequado e, finamente, usar o trichoderma.”

A utilização do controle biológico, através do uso do TRICHODERMA tem se mostrado eficiente, através de pesquisas realizadas pela Embrapa.  Alguns produtores já estão utilizando esta técnica associada com os demais métodos de controle já mencionados e estão satisfeitos, como é o caso de produtores na região centro sul do Estado ( município de Cariús – CE)

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Assembleia Legislativa aprova projetos voltados ao homem do campo



Dois projetos de indicação, de autoria do deputado estadual Antônio Granja, foram aprovados na sessão plenária, desta quarta-feira(15), na Assembleia Legislativa. Ambos são voltados às ações do campo.   


Um deles propõe a isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nas operações relativas à aquisição de equipamentos, peças, acessórios e instrumentos destinados à irrigação. Conforme o Projeto, o beneficiário da isenção não poderá alienar o produto adquirido antes de um ano contado da aquisição. Já, caso haja desgaste natural do equipamento, o beneficiário poderá fazer nova aquisição com isenção do imposto.  


Já o projeto que dispõe sobre a implementação de agrovilas tem como objetivo tornar esses módulos de unidades produtivas como formas de assentamentos rurais no Ceará. De acordo com a proposta de Antônio Granja, as áreas de implantação de agrovilas devem dispor de recursos hídricos, área mínima de quatro hectares para cada pessoa ou família participantes, para exploração racional de pequeno porte voltadas para agricultura, floricultura e horticultura. Também podem ser atendidas piscicultura, avicultura, apicultura e pecuária.


"Tenho sido um grande defensor do homem do campo, na busca por soluções que possam diminuir os impactos negativos oriundos quer seja por escassez hídrica, por pandemia, por elevação de taxas, entre outros", relata o parlamentar. 


Por se tratarem de Projetos de Indicação, eles têm a finalidade de sugerir que outro órgão (o Poder Executivo, neste caso) tome as providências que lhe sejam próprias.





Assessoria de Comunicação do Deputado Estadual Antônio Granja

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quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Embrapa: Abacaxi em sistema orgânico registra produtividade superior ao convencional

 


A equipe técnica da Embrapa registrou uma produtividade média (t/ha) do abacaxi Pérola no cultivo orgânico irrigado superior ao registrado na produtividade média nacional da cultura. Um grande feito, levando-se em consideração que no cultivo orgânico não é permitido o uso de produtos químicos, que facilitam a produção. A Embrapa, em parceria com a Bioenergia Orgânicos, está na vanguarda na elaboração de sistemas orgânicos de produção (SOP) de frutas no País, importante frente de atuação na busca de uma agricultura mais sustentável. Entre esses sistemas, está o de abacaxi. Assim como os de maracujá e manga, o SOP Abacaxi foi construído com base nos experimentos realizados em Lençóis, na Chapada Diamantina (BA).

 

De acordo com o pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tullio Pádua, um dos editores técnicos da publicação, a produção no SOP chega a cerca de 49 t/ha em cultivo irrigado por microaspersão, com densidade de 35.712 plantas/ha e espaçamento de plantio de 1,0 m x 0,40 m x 0,40 m, considerando ainda uma perda padrão de 30% de frutos do Pérola em função da fusariose (principal doença da cultura) e da ocorrência de frutos sem valor comercial. “A produtividade média nacional de abacaxi, em 2019, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi de 36,14 t/ha. Obtivemos, assim, nos experimentos, cerca de 35% a mais comparado ao cultivo convencional no País. Agora, em relação à produtividade média na Bahia, de 21,11 t/ha em 2019, alcançamos mais que o dobro. Vale deixar claro que a irrigação influencia nessa diferença, já que a maior parte da produção de abacaxi no País é em sistema de sequeiro. Mesmo assim, é um resultado excelente.”

Outro aspecto positivo observado no cultivo orgânico é a quantidade de frutos classificados como de melhor qualidade, chamados de “frutos de primeira” (acima de 1,5 kg), no caso da variedade Pérola: mais de 90% da produção apresentou frutos de peso médio elevado, de 1,8 kg a 2 kg, quando em cultivo irrigado. “O preço do fruto de segunda representa aproximadamente metade do preço do de primeira. Então, quanto mais frutos de primeira o produtor tiver, maior é o seu lucro. No convencional, a produção fica entre 50% e 60% de frutos de primeira. E no orgânico conseguimos mais de 90% quando cultivado com irrigação por microaspersão”, relata o cientista que, ao lado da pesquisadora Ana Lúcia Borges, representa a Embrapa na Comissão de Produção Orgânica da Bahia, fórum composto por membros de entidades governamentais e não governamentais.

 

Esse é mais um resultado do projeto "Desenvolvimento de sistemas orgânicos de produção para fruteiras de clima tropical", conduzido há quase dez anos pela Embrapa com a Bioenergia Orgânicos. O SOP Abacaxi reúne recomendações técnicas relacionadas a planejamento do pomar, condições de cultivo, cultivares, mudas, escolha do terreno e preparo do solo, plantio, suprimento de nutrientes e de água, manejo de plantas espontâneas, indução floral, manejo de pragas e doenças, colheita e manejo pós-colheita dos frutos, além de custo e rentabilidade. É recomendado para a região da Chapada Diamantina, mas a proposta é que sirva de modelo e possa ser ajustado para outros polos produtivos do País, já que contempla os princípios básicos da produção orgânica.

 

O abacaxi no Brasil e no mundo

 

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em 2019, o abacaxi foi produzido em 85 países, sendo o quinto fruto tropical mais importante. A Costa Rica é o maior produtor mundial, e o Brasil ocupa a terceira posição no ranking. Os principais estados produtores são Pará, Paraíba, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Tocantins.

 

Dados de janeiro de 2021 mostram que existem 22.982 produtores orgânicos cadastrados no Ministério da Agricultura. Desses, 1.518 produzem abacaxi (6,6%). “Há uma porcentagem pequena de produtores de abacaxi cadastrados como orgânicos. A intenção desse trabalho, assim como no caso das demais fruteiras, é contribuir para aumentar esse contingente, em busca de uma agricultura mais sustentável”, destaca Pádua.

 

Seleção das variedades

 

De acordo com a Portaria Nº 52 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), nos sistemas orgânicos deve-se priorizar a utilização de material adaptado às condições locais e tolerantes a pragas e doenças, já que não se pode utilizar agrotóxicos nem adubos químicos solúveis. “No caso do abacaxi, então, já tínhamos uma alternativa, o BRS Imperial, cultivar desenvolvida pela Embrapa Mandioca e Fruticultura, resistente à fusariose. Além disso, a cultivar tem um valor de mercado para o fruto in natura muito elevado e uma aceitação sensorial excelente, por ser muito doce. Ainda tem outro importante diferencial: não contém espinhos nas margens das folhas e na coroa, o que facilita o manejo e reduz custos e risco de acidentes”, salienta o pesquisador.

 

Já o Pérola, mesmo sendo suscetível à fusariose, foi escolhido por ser a variedade mais consumida em todo o País. “É um material que se adapta a praticamente todas as regiões e condições de cultivo, podendo, assim, vir a ser um componente importante na produção, porque os frutos são de muita qualidade, com bom tamanho e sabor, mesmo em cultivos mais rústicos, com menos tecnologia, menos adubação”, complementa Pádua.

 

Preparação do plantio

 

Com base no resultado das análises de laboratório, fez-se, de antemão, a correção do solo, com aplicação de calcário, e o preparo da área utilizando um coquetel de plantas chamadas “melhoradoras” (gramíneas e leguminosas), de forma a produzir palhada para a proteção do solo e ciclagem de nutrientes. Em seguida, houve definição de espaçamento de plantio, em que se avaliaram cinco densidades para cada variedade; análise de doses de adubação orgânica, utilizando um composto chamado bokashi, que é enriquecido com micro-organismos benéficos às plantas e emprega vários resíduos ou produtos, como esterco bovino, torta de mamona, pó-de-rocha silicatada e micronutrientes; e avaliação da influência das plantas melhoradoras na produtividade das variedades.

 

Pádua explica que, paralelamente, foram avaliadas lâminas de irrigação, cinco para cada variedade, com o intuito de calcular a necessidade hídrica de cada planta para produzir bem — a irrigação é recomendada pelo fato de o plantio e a colheita poderem ser feitos em diferentes períodos, tendo o produtor a possibilidade de obter frutos durante todas as épocas do ano. Também foram testados sistemas de irrigação diferentes e a viabilidade do uso do mulching, uma espécie de lona plástica, tecnologia que pode ser usada em cultivo orgânico para controle de plantas daninhas e serve também como barreira física à transferência de calor e vapor de água entre solo e atmosfera.

 

Vantagens na associação da cobertura plástica e irrigação por gotejo

 

Ambas as cultivares apresentaram respostas positivas ao uso da cobertura plástica do solo no cultivo irrigado. Essa prática não apenas permitiu o controle do mato nas linhas de plantio, seu objetivo inicial, mas também contribuiu para um melhor desenvolvimento vegetativo das plantas e uma produção de frutos maiores, com valor comercial superior.

 

Pádua explica que, com a irrigação por microaspersores (a água é jogada em gotas como chuva), sem a utilização da cobertura plástica, o produtor obtém frutos de maior peso. Mas caso opte pela irrigação por gotejo (a água é aplicada em pequenas vazões diretamente nas raízes das plantas), é importante que utilize o mulching para manter a boa produtividade do BRS Imperial — o gotejamento é distribuído por baixo da cobertura plástica.

 

“Para esse material, com a irrigação por gotejo sem cobertura plástica, o peso médio dos frutos foi de 600 g [o BRS Imperial tem frutos cilíndricos e menores]. Quando se utiliza a cobertura plástica com gotejo, o peso médio vai para quase 1 kg, semelhante ao que foi obtido quando se optou pelo microaspersor. A utilização do mulching associado à irrigação por gotejo aumentou o número de frutos com tamanho adequado para serem comercializadom em 128% para essa variedade. Outra informação interessante observada nesse sistema de cultivo foi a redução da incidência da fusariose no Pérola”, informa.

 

O pesquisador alerta que o produtor precisa ficar atento à validade do mulching, que deve ser descartado ao fim do ciclo, de forma a não gerar resíduos indesejáveis. “E a forma adequada de descarte deve fazer parte do planejamento da instalação do pomar”, orienta.

 

Desafios fitossanitários

 

O maior desafio para implantação de um sistema orgânico de produção é o controle de pragas e doenças, tendo em vista a impossibilidade de uso de defensivos químicos. É preciso haver o manejo da vegetação natural, o manejo nutricional e o monitoramento populacional das pragas e dos inimigos naturais. Nas condições de Lençóis, os principais problemas fitossanitários do abacaxi, de acordo com o pesquisador da Embrapa Aristoteles Matos, são a murcha virótica associada à cochonilha, causada pelo pineapple mealybug wilt associated virus, tendo como vetor a cochonilha Dysmicoccus brevipes; e a fusariose, causada pelo fungo Fusarium guttiforme.

“Com relação à fusariose, a primeira medida, claro, foi a adoção do BRS Imperial, resistente à doença. No caso do Pérola, a estratégia de controle tem sido o manejo integrado, com destaque para a utilização de mudas sadias produzidas em viveiro antiafídeo, inspeção mensal e remoção das plantas que desenvolvam sintomas da doença durante o desenvolvimento vegetativo e, se necessário, aplicação de caldas fitoprotetoras de uso permitido na agricultura orgânica”, explica Matos. Para o combate à murcha virótica associada à cochonilha, a estratégia de controle, segundo ele, é semelhante.

 

Produção de mudas

 

Para evitar a entrada de pragas e doenças no pomar, o primeiro passo foi garantir a produção de mudas sadias e certificadas. A Bioenergia decidiu implantar seu próprio viveiro com telado antiafídeo. “Utilizamos a técnica do seccionamento de talo para a produção de mudas. Pelo fato de o abacaxi ser uma cultura de ciclo longo [dois anos], é um grande desafio, pois dependemos do tempo da fruteira. Em cada hectare, utilizamos 37 mil mudas. Pretendemos chegar a 100 ha. Imaginem quantas mudas teremos de produzir?”, pontua Osvaldo Araújo, um dos sócios da Bioenergia. Hoje são cinco ha destinados aos experimentos. A ideia é, em escala comercial, chegar, segundo ele, a 40 ha em 2022 e a 100 ha até 2023.

 

Foco no desenvolvimento local

 

A produção da Bioenergia será para a venda in natura e para abastecer a indústria de processamento de polpa integral, que, de acordo com Araújo, deve entrar em funcionamento em dois anos. A produção virá de suas fazendas, e a empresa vem envolvendo também agricultores familiares da região, como forma de promover o desenvolvimento local. “Fornecemos a muda, o adubo a preço de custo e garantimos a compra de 100% em contrato, e o produtor terá o compromisso de nos entregar, no mínimo, 50%.” O trabalho é realizado em conjunto com as prefeituras, encarregadas de organizar os produtores e prestar a assistência técnica. No caso do abacaxi, já existem três parceiros.

 

O gestor ambiental Rafael Wu, de Lençóis, é um deles. Em 2018, ele plantou quatro mil mudas do abacaxi Pérola em cultivo orgânico, adotando também preceitos do sistema agroflorestal. “Começamos o plantio com o maracujá nas entrelinhas do mamão, da banana e da lima ácida Tahiti. Utilizamos variedades da Embrapa e consorciamos com elementos florestais, as árvores nativas. Depois implantamos a área com o Pérola. Plantamos também mandioca, andu, tudo na mesma área. O crescimento dessas culturas junto com o abacaxi trouxe um bem-estar para a planta, reduzindo bastante a demanda hídrica dela”, conta Wu.

 

Recentemente, ele iniciou o plantio do BRS Imperial, utilizando mudas da Bioenergia (dez mil). Inseriu as mudas em áreas já plantadas, consorciando com graviola, citros, entre outras culturas, e fez um plantio novo, em consórcio com a mandioca, seguindo as recomendações do SOP. Ele conta que já observou outra vantagem do BRS Imperial: tolerância maior ao sombreamento. “Trabalhamos com sistemas agroflorestais, que tendem a sombrear muito mais o que está embaixo. Os abacaxis preferem o sol, mas o BRS Imperial teve resposta muito melhor do que o Pérola. Talvez, por isso, se encaixe melhor no sistema agroflorestal.”

 

Wu acrescenta que, desde que implantou sua área de fruticultura, há cinco anos, tem sido beneficiado pela parceria Embrapa/Bioenergia. “Um projeto dessa magnitude é importante para a Chapada e para o País. Sou vizinho da empresa e, para mim, é indispensável participar desse projeto, que está promovendo a integração dessa cadeia produtiva”, diz Wu, que participou de todas as capacitações promovidas pelo projeto desde 2014.

 

Desenvolvimento constante de novas tecnologias

 

Disponível on-line, o SOP do abacaxi é atualizado constantemente após o teste de novas tecnologias. Entre as novas alternativas oferecidas ao setor produtivo está uma forma de controle da queima solar, problema que impacta diretamente a qualidade do fruto.

 

Os produtores costumam cobrir os frutos com jornal, prática não permitida no cultivo orgânico devido à presença de produtos químicos na tinta, que podem contaminar o fruto. “Decidimos testar as telas de sombreamento, tecnologia utilizada na Costa Rica e no México. Avaliamos as telas com diferentes intensidades de sombreamento e comparamos com o saco de papel pardo e com a testemunha sem cobertura”, informa Pádua. Com base nos resultados obtidos em dois ciclos, o estudo recomenda a tela de sombreamento de 50% para controle da queima solar de frutos do Pérola.

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