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quinta-feira, 17 de junho de 2021

541 títulos da terra entregues a agricultores em Tabuleiro do Norte

Os agricultores familiares de Tabuleiro do Norte estão rindo à toa. Tudo porque a Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA) e o Instituto de Desenvolvimento Agrário do Ceará (Idace) realizaram a entrega de 541 títulos de propriedade rural na manhã desta terça-feira (15). Com o papel da terra em mãos, fica mais fácil acessar as políticas públicas do Governo do Ceará e também mais seguro para passar a posse da terra às futuras gerações.

A solenidade ocorreu em formato híbrido e respeitou as recomendações sanitárias contra o Covid-19. Em Fortaleza, o secretário De Assis e o presidente José Wilson Gonçalves participaram do evento interagindo com o prefeito Rildson Vasconcelos, o secretário municipal Francisco Massoloni e o superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, Luiz Fernando Castro. “Uma conquista para as atuais e futuras gerações”, comemorou De Assis.

“Com o documento da posse da terra, o homem e a mulher do campo acessam crédito nos bancos públicos e melhoram a produção e a produtividade, conquistando independência e contribuindo ainda mais com o desenvolvimento agrário do Estado do Ceará”, complementa o secretário. “Essa é uma política de relevância iniciada quando o governador Camilo Santana ainda ocupava a SDA e estamos avançando também nesta política pública”.

Na opinião do superintendente José Wilson Gonçalves, o título de propriedade representa autonomia e cidadania para o trabalhador e para a trabalhadora rural. “Demos início a um novo capítulo na vida de 541 agricultores e agricultoras familiares de Tabuleiro do Norte. O título é a porta de entrada a políticas públicas, como o Hora de Plantar e o Garantia Safra, e serve de comprovação para que o trabalhador do campo possa acessar a aposentadoria”, complementou.

Também discursaram na transmissão: o deputado federal José Guimarães e os deputados estaduais Moisés Brás e Antônio Granja. Além destes, participaram: o vice-prefeito Lucieudo de Sousa Sena; coordenador nacional da Regularização Fundiária, Sérgio Nóbrega; o gerente do escritório da Ematerce, Eliacir Pinheiro; a presidente da Câmara Municipal, Maria de Lourdes; e o presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, Antério Fernandes Moreira.

SDA

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Espiga de milho verde está a R$ 0,60 na Ceasa em Maracanaú

Bastante utilizado nas iguarias juninas, o milho verde está com um excelente preço no entreposto da Ceasa em Maracanaú, com a espiga sendo vendida a R$ 0,60 a unidade. Além do próprio milho cozido, com ele podem ser feitos também bolos, canjicas, pamonhas, mugunzás, mousses e uma infinidade de outros pratos, produtos muito consumidos no período junino.

Dentre os principais benefícios para a saúde, o milho ajuda na prevenção de doenças nos olhos, pois protege a mácula ocular devido à presença dos antioxidantes luteína, zeaxantina e betacarotenos; fortalece o sistema imunológico, por ser rico em carotenoides e vitaminas, o que ajuda a aumentar as defesas do organismo, evitando, assim, doenças como a gripe e o resfriado, por exemplo; ajuda a emagrecer, pois possui fibras que ajudam a aumentar a sensação de saciedade. Rico em carboidratos, o consumo do milho deve fazer parte de uma alimentação saudável e equilibrada.

O milho também ajuda a reduzir os níveis de colesterol, pois possui fibras insolúveis que ajudam a diminuir a absorção da gordura presente nos alimentos e aumenta a excreção de ácidos biliares. Além disso, ao ser fermentado pelas bactérias do intestino são produzidos ácidos graxos de cadeia curta, inibindo a síntese de colesterol no fígado, o que permite diminuir o risco de doenças cardiovasculares. O milho também auxilia no controle do açúcar no sangue, pois contém fibras e vitaminas do complexo B, além de magnésio.

CEASA
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Cientistas obtêm nanocristais da palha da cana-de-açúcar

 Foto: iStock

iStock - A palha da cana-se-açúcar pode ser usada como matéria-prima para obtenção dos chamados greens materials (materiais verdes)

A palha da cana-se-açúcar pode ser usada como matéria-prima para obtenção dos chamados greens materials (materiais verdes)

  • A partir da palha da cana, pesquisadores da Embrapa obtêm nanocristais, estruturas minúsculas em formato de grãos de arroz.

  • Também conhecidos como whiskers, os nanocristais de celulose (CNCs) têm potencial de aplicação nas indústrias petroquímica, farmacêutica e eletrônica.

  • Entre as principais aplicações está a obtenção de materiais avançados com propriedades como a biodegradabilidade e resistência mecânica similar à do aço.

  • Palha da cana é resíduo abundante do setor sucroalcooleiro, com volume estimado entre dez e 20 toneladas de matéria seca por hectare.

  • Trabalho científico abre caminho para aplicações nobres desse resíduo em produtos de alto valor agregado. Atualmente a palha é usada para gerar energia térmica ou deixada no campo para agregar matéria orgânica ao solo

A partir da manipulação de macromoléculas, pesquisadores da Embrapa Instrumentação (SP) extraíram nanocristais de lignocelulose (LCNCs) da palha da cana-de-açúcar, um resíduo ainda pouco explorado, mas com elevado potencial para a sustentação futura de biorrefinarias. Da palha é possível produzir etanol de segunda geração e o estudo demonstra que ela também pode ser usada como matéria-prima para obtenção dos chamados greens materials (materiais verdes), provenientes de fontes renováveis e sustentáveis, de alto valor agregado.

Semelhantes a grãos de arroz, mas com espessura cerca de 200 mil vezes menor, os nanocristais de celulose (CNCs), também conhecidos como whiskers, são candidatos importantes para substituir alguns produtos de base petroquímica, com potencial de aplicações que variam de medicamentos a dispositivos eletrônicos, produtos de consumo, sensores, aerogéis, adesivos, filtros, embalagem de alimentos, engenharia de tecidos, entre outros.

A nanocelulose na forma de nanocristais ou nanofibras pode melhorar as propriedades dos materiais, aumentando a resistência mecânica. “Os nanocristais servem como aditivos, melhorando as propriedades dos materiais usados em embalagens e filmes, por exemplo”, explica a pesquisadora da Embrapa Cristiane Sanchez Farinas, coordenadora da pesquisa.

A conversão da palha em CNCs ocorreu por meio de uma combinação de pré-tratamento com solvente orgânico e hidrólise ácida realizada em diferentes condições operacionais. Os pesquisadores constataram que os LCNCs obtidos da palha da cana-de-açúcar, um material abundante, apresentaram alto rendimento e estabilidade térmica, além de índice de cristalinidade de 80%, enquanto o material precursor ficou em 65%. 

O grau de cristalinidade é um parâmetro importante da nanocelulose, porque determina as propriedades físicas, mecânicas e químicas relacionadas à estrutura de estado sólido.

Em 2020, a produção de cana-de-açúcar estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi de 677,9 milhões de toneladas. O estado de São Paulo foi o destaque em área plantada, com cerca de 5,6 milhões de hectares, o equivalente a 55% do total no País. A palha da cana é um dos principais resíduos de biomassa lignocelulósica gerados nas usinas brasileiras de açúcar ou etanol, estimado entre 10 e 20 toneladas de matéria seca por hectare anualmente. 

Esse volume representa cerca de um terço do total de energia primária da cana-de-açúcar, o que torna o resíduo uma fonte alternativa renovável e sustentável aos combustíveis fósseis, principal fonte energética mundial, responsáveis em grande parte pelas emissões dos gases causadores do efeito estufa. De 1998 a 2018, as emissões globais de CO2 relacionadas à energia aumentaram 48%, de acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA).

Processo desconstrói moléculas

A pesquisa emprega saberes técnicos-científicos de várias áreas do conhecimento, como Química e Engenharia de Materiais, além da infraestrutura instalada, principalmente, do Laboratório de Agroenergia e do Laboratório Nacional de Nanotecnologia Aplicado ao Agronegócio (LNNA), sediado em São Carlos (SP) na Embrapa Instrumentação. O trabalho foi conduzido pelo químico Stanley Bilatto com supervisão de pesquisadores da Embrapa (veja quadro).

A pesquisa

A pesquisa, conduzida pelo pós-doutorando Stanley  Bilatto (foto à esquerda), supervisionado pelos pesquisadores Cristiane Sanchez FarinasJosé Manoel Marconcini e Luiz Henrique Capparelli Mattoso,  integra o projeto temático “Da fábrica celular à biorrefinaria integrada biodiesel-bioetanol: uma abordagem sistêmica aplicada a problemas complexos em micro e macroescala”, vinculado ao Programa Fapesp de Pesquisa em Bionergia (BIOEN), processos 16/10636-8 e 18/10899-4.

O programa busca ampliar a pesquisa e desenvolvimento em bioenergia e investigar novas alternativas tecnológicas para consolidar a liderança brasileira na pesquisa e produção de bioenergia.

Já o projeto temático, liderado pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), envolve ainda a Universidade de Campinas (Unicamp), Universidade de São Paulo (USP) e a Embrapa Instrumentação, que coordenou no fim de março o terceiro workshop para discutir avanços, desafios e oportunidades do estudo que vem sendo realizado desde 2016. 

Periódicos de alto impacto

A Embrapa Instrumentação vem desenvolvendo pesquisas nesse tema ao longo de quase 15 anos. O estudo sobre “Lignocellulose nanocrystals from sugarcane straw” foi publicado no volume 157 do periódico Industrial Crops & Products, da editora Elsevier, em dezembro de 2020. 

Os estudos também estão no Industrial & Engineering Chemistry Research, da American Chemical Society (ACS), que retratou a “Production of Nanocellulose Using Citric Acid in a Biorefinery Concept: Effect of the Hydrolysis Reaction Time and Techno-Economic Analysis”; no ACS Sustainable Chemistry & Engineering, que abriu espaço para dois trabalhos - “Enzymatic Deconstruction of Sugarcane Bagasse and Straw to Obtain Cellulose Nanomaterials”e “Nanocellulose Production in Future Biorefineries: An Integrated Approach Using Tailor-Made Enzymes”. Os artigos foram publicados no ano passado pelo grupo composto por pesquisadores da Embrapa Instrumentação, pós-doutorandos e bolsistas de programas de pós-graduação da UFSCar.

 

Para extrair os nanocristais de celulose, Bilatto aplicou inicialmente a técnica chamada de organosolv, um dos principais processos utilizados para pré-tratamentos de biomassas lignocelulósicas, no qual uma mistura de solventes orgânicos é usada para romper as ligações no complexo lignocelulósico. Na sequência, foi possível obter os nanocristais por hidrolise ácida.

“O pré-tratamento organosolv foi selecionado porque despolimeriza (desconstrói) parte da lignina e da hemicelulose e também solubiliza a maioria dos açúcares da hemicelulose. Além disso, pode produzir lignina de 'alta qualidade', que pode ser potencialmente transformada em produto de alto valor, o que nem sempre é possível com outros pré-tratamentos químicos”, explica Bilatto. 

O pesquisador passou pelo Forschungszentrum Jülich, na Alemanha, em 2015, durante o doutorado, e realizou uma parte do seu pós-doutorado na Pritzker School of Molecular Engineering (PME) da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, no ano passado.

Segundo ele, o uso do organosolv apresenta vantagens como a recuperação e reutilização do solvente orgânico e o possível isolamento da lignina como material sólido para utilização na indústria. “Os resultados demonstraram a extração efetiva de nanocristais de celulose com lignina residual da palha da cana-de-açúcar, abrindo a possibilidade de obtenção de nanomateriais de alto valor agregado, uma contribuição para a sustentabilidade de futuras biorrefinarias de biomassa lignocelulósica”, relata Bilatto.

A palha é maioritariamente utilizada para gerar calor e eletricidade ou é deixada nos campos para melhorar a qualidade do solo, retenção de água, reciclagem de nutrientes e redução da erosão. Mas a palha da cana é rica em lignocelulose e baixa em carboidratos, como açúcares e amido e proteínas armazenadas. 

Processo em escala é o desafio

Embora a plena utilização da palha possa reduzir o volume de resíduos gerados, a pesquisadora Cristiane Farinas (foto à esquerda) afirma que o processamento industrial de material lignocelulósico não é uma tarefa fácil, uma vez que os componentes estão firmemente incorporados na célula da planta o que dificulta o acesso aos reagentes necessários para uma separação eficiente. 

“A lignina é uma macromolécula complexa que, juntamente com a celulose e a hemicelulose, formam a parede celular das plantas, proporciona uma estrutura rígida para proteger essas plantas das intempéries, insetos e doenças. No entanto, foi demonstrado que a presença de lignina residual em nanocristais e nanofibras de celulose pode melhorar a compatibilidade química e as propriedades físicas e mecânicas desses materiais, ampliando a gama de aplicações”, explica a pesquisadora.

O pesquisador Marconcini acrescenta que, devido à natureza complexa da lignina, vários pré-tratamentos para a despolimerização do material lignocelulósico foram propostos, a fim de tornar as cadeias de celulose mais acessível para o isolamento de nanocristais. A palha da cana-de-açúcar contém cerca de 40% de celulose, 28% de hemiceluloses, 21% de lignina, 11% de material extraível e 7% de cinzas.

“Considerando a variabilidade da biomassa lignocelulose, cada tipo pode exigir pré-tratamento específico e condições de hidrólise para se obter material nanocelulósico, que pode diferir em termos de cristalinidade, dimensões dos nanocristais (largura, comprimento, e relação de aspecto) e rigidez”, esclarece Marconcini. 

Para alcançar, então, as propriedades finais desejadas do nanomaterial, é importante compreender as mudanças morfológicas e estruturais que ocorrem durante os pré-tratamentos.

Especialista em polímeros naturais, o pesquisador Luiz Henrique Caparelli Mattoso conta que o isolamento de nanoestruturas de palha de cana-de-açúcar despertou a atenção especial do grupo de estudo, devido às vantagens potenciais desse material. 

“Nos preocupamos em compreender as alterações químicas e estruturais que ocorrem durante a desconstrução da palha da cana e para a extração de nanoestrutura, por meio de uma combinação de pré-tratamento organosolv e hidrólise ácida realizada sob diferentes condições”, afirma o engenheiro de materiais. 

Os pesquisadores trabalharam com palha de cana cedida por uma usina localizada no interior de São Paulo, lavada, secada, processada e fracionada para obtenção de um material do tamanho de 0,5 mm. O pré-tratamento baseado no processo organosolv ocorreu em reator aquecido a quase 190ºC e depois resfriado à temperatura ambiente. A palha da cana parcialmente deslignificada foi descarregada e separada da fração solúvel rica em lignina por filtração.

Os sólidos pré-tratados foram enxaguados, secos à temperatura ambiente e armazenados em sacos plásticos antes do uso, sem que fosse realizado nenhum outro processo de branqueamento. Após a etapa do processo de hidrólise, obteve-se o pó de LCNCs por liofilização, que foi armazenado antes da caracterização.

Nanocristais resistentes como o aço

Os pesquisadores relatam que entre as vantagens de extrair nanocristais de celulose está o fato de se obter material altamente resistente como o aço, mas oriundo de fontes sustentáveis como as fibras vegetais, que podem ser de algodão, eucalipto, de bagaço ou da palha de cana, cascas de coco e de arroz, entre outras, e até de resíduos como madeira de reflorestamento descartada pela indústria. “Ainda é possível a sua adição a outros materiais, mudando suas propriedades mecânicas”, afirma Mattoso.

As características dos CNC têm atraído indústrias no mundo todo. Somado a isso, os nanocristais incorporam propriedades físicas, químicas e biológicas e começam a ser empregados em diversas áreas. No entanto, existem grandes desafios para sua adoção mais ampla: alto custo, baixa produtividade, longo tempo de produção e ainda pouco material disponível no mercado.

 

 

Conceito de biorrefinaria

Para a  Agência Internacional de Energia, biorrefinaria é o processamento sustentável de biomassa em uma vasta gama de bioprodutos - alimentos, rações, químicos, materiais - e bioenergia (biocombustíveis, eletricidade ou calor). A definição de biorrefinaria apareceu pela primeira vez na legislação americana, na Farm Bill, de 2002, com o significado de instalações, equipamentos e processos que convertem a biomassa em biocombustíveis e produtos químicos e ainda podem gerar eletricidade.

Mas há conceitos na literatura que a definem como “o uso de matérias-primas renováveis e de seus resíduos (denominados de forma geral de biomassas), de maneira integral e diversificada, para a produção, por rota química ou biotecnológica, de uma variedade de substâncias e energia, com a mínima geração de resíduos e emissões de gases poluidores”.

 

 

Vanguarda na pesquisa

A introdução de novos materiais nas pesquisas desenvolvidas pela Embrapa Instrumentação teve início com o pesquisador Luiz Henrique Capparelli Mattoso. O engenheiro de materiais realizou seu pós-doutorado em Nanotecnologia no Departamento de Agricultura dos Estados Unidos pelo programa Laboratório da Embrapa no Exterior (Labex). Lá trabalhou com o Prêmio Nobel de Química de 2000 Alan MacDiarmid, com quem publicou dez artigos em revistas especializadas e teve uma patente depositada nos Estados Unidos envolvendo polímeros condutores.

Os estudos, realizados desde 2007, criaram a base para o desenvolvimento dos chamados greens materials, materiais retirados de fibras vegetais como as de algodão e de eucalipto. As pesquisas demonstram que é possível obtê-los e que eles podem ser extraídos a partir de fibras lignocelulósicas de bagaço da cana, cascas de coco e de arroz, algodão, eucalipto, entre outras, e até de resíduos como madeira de reflorestamento descartada pela indústria.

Em 2019, pesquisadores da Embrapa e da startup Bio Nano começaram a testar a produção de nanocristais de celulose (CNC), em escala-piloto, a partir de eucalipto e algodão. A proposta é escalonar a produção e acelerar o processo de obtenção de modo economicamente viável.

Nanocristais comerciais já foram empregados anteriormente em pesquisas com filmes comestíveis, desenvolvidos com diferentes alimentos no LNNA, além de materiais plásticos e tintas para aumentar a rigidez desses produtos. A obtenção, com sucesso, de nanocristais com palha de cana-de-açúcar agrega valor às próprias pesquisas da Embrapa Instrumentação visando ao desenvolvimento de novos produtos.

 

Joana Silva (MTb 19.554/SP)
Embrapa Instrumentação

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Pesquisadores encontram composto anti-inflamatório em planta do sertão do Ceará

Pesquisadores encontram composto anti-inflamatório em planta do sertão do Ceará

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O estudo foi feito em uma das variedades da açucena encontrada em Pacatuba e Moraújo

Legenda: Nova substância foi encontrada em uma espécie da família das açucenas
Foto: Divulgação/Embrapa

Vem de uma planta nativa do sertão cearense, uma espécie da família das açucenas, a esperança de desenvolvimento de um novo fármaco com propriedade anti-inflamatória e para tratamento de sintomas da demência, como a perda de memória.

Pesquisadores da Embrapa Agroindústria Tropical no Estado e da Universidade Federal do Ceará (UFC) conseguiram domesticar a produção do vegetal e identificar a presença da galantamina, um alcaloide que já é usado em tratamento de pacientes com doenças de Alzheimer e Parkinson.

O estudo deve favorecer a busca de alternativas para agregar valor à biodiversidade da Caatinga e ao vegetal, ampliar renda de pequenos agricultores e favorecer a produção futura de um fitoterápico.

Nativa dos municípios de Pacatuba e Moraújo, no Ceará, a Hippeastrum elegans é conhecida popularmente como açucena, lírio, tulipa, cebola-do-mato, cebola-berrante e flor-da-imperatriz.

Os pesquisadores identificaram quatro diferentes alcaloides ao longo de 15 meses de cultivo: sanguinina, narciclasina, pseudolicorina e galantamina.

O pesquisador da Embrapa, Kirley Canuto, que coordena a pesquisa, frisou que por ser nativa do sertão nordestino, “a planta é bem-adaptada às condições climáticas da região. “Favorece o seu cultivo e desenvolvimento”, pontuou Canuto. “É uma planta muito promissora para fins farmacêuticos e podemos ter um retorno em médio prazo, três anos, para produção industrial”.  

O estudo envolveu agrônomos, químicos, biomédicos e farmacêuticos e revelou que a composição química dos bulbos de açucena variou dependendo da época de colheita, impactando suas atividades farmacológicas.

A agrônoma e pesquisadora da Embrapa Rita de Cássia Pereira pontuou a descoberta de que na fase de floração há alta produção do alcaloide, que transcorre em dezembro e janeiro. “A novidade é encontrar esse alcaloide em uma planta silvestre, do sertão cearense”.

A pesquisa de campo já foi concluída. “Identificamos também a forma de cultivo e descobrimos que com um quarto do bulbo (parte subterrânea, que lembra uma cebola) é possível produzir novas mudas”, contou Rita de Cássia.  

Legenda: Bulbos de açucena
Foto: Divulgação/Embrapa

A atividade anti-inflamatória encontrada no vegetal foi comprovada em células de defesa do sangue humano (neutrófilos) e do sistema nervoso central de roedores (micróglias).

A professora da Faculdade de Farmácia e pesquisadora da UFC Geanne Matos explicou que “a pesquisa em laboratório foi muito promissora a partir do isolamento da galantamina e de testes in vitro e em camundongos”.

Anteriormente, já havia registros científicos sobre a presença de substâncias de interesse farmacológico na variedade, isto é, os alcaloides, que são substâncias psicoativas. Exemplos: cafeína, nicotina, morfina e a cocaína.

A professora Geanne Matos, que coordenou uma das fases dos estudos, explicou que a enzima acetilcolinesterase degrada a acetilcolina, um neurotransmissor que age nas funções cognitivas. O extrato vegetal foi capaz de diminuir a ativação celular e a secreção de mediadores inflamatórios, sem causar citotoxidade.

Um medicamento precisa ser seguro e eficaz, lembrou a professora Geanne Matos. “Vejo que a pesquisa demonstrou a presença da substância que já tem comprovação em literatura médica e farmacêutica para tratamento dos sintomas da demência e se houver viabilidade em custo e benefício poderá ser desenvolvido um fitoterápico por uma indústria farmacêutica, trazendo benefícios para população de baixa renda, que sofre com demência”.

Foto: Divulgação/Embrapa

PESQUISA

Os fármacos usados para o controle de doenças degenerativas como “Alzheimer têm como princípio a inibição a enzima e o consequente aumento na disponibilidade de acetilcolina, o que resulta na melhoria cognitiva”, demonstra a pesquisa.

Os pesquisadores adiantaram que em breve, o extrato mais bioativo do vegetal será testado em modelo experimental in vivo de amnésia.

Inicialmente, o extrato oriundo da açucena foi testado em neutrófilos humanos (as primeiras células de defesa ativadas no sistema imune). A ativação intensa dessas células está associada doenças como asma severa, artrite reumatoide e Covid-19.

O objetivo do estudo é mitigar os efeitos dessas doenças. O teste feito em células humanas dá boas chances de avanço da pesquisa para outras fases.

Resultados satisfatórios também foram encontrados em testes realizados com células do sistema nervoso central, as micróglias.

A pesquisa revelou que frações de alcaloides de açucena testadas foram capazes de reduzir a neuroinflamação induzida nas células microgliais.

Pacientes com Alzheimer e Parkinson apresentam processo inflamatório do sistema nervoso central.

SAIBA MAIS

Para a humanidade, a principal aplicação dos alcaloides é a fabricação de medicamentos. Entre os fármacos produzidos estão o antiespasmódico escopolamina, o broncodilatador e descongestionante efedrina e a vincristina, que é usada no tratamento da leucemia.

Um alcaloide antigo e importante é a morfina, principal componente do ópio, uma resina extraída da flor da papoula (Papaver somniferum). A substância tem ação sedativa e analgésica contra dores intensas como as provocadas pelo câncer em estágio avançado.

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terça-feira, 15 de junho de 2021

Aprovadas atualização do Fedaf e Hora de Plantar como política de Estado

Aprovadas atualização do Fedaf e Hora de Plantar como política de Estado

Texto: Antônio Cardoso e André Gurjão | Imagem: André Gurjão

Na tarde desta quinta-feira (10), a Assembleia Legislativa do Estado do Ceará aprovou a atualização do Fundo Estadual de Desenvolvimento da Agricultura Familiar (PL 18/21) e tornou o Projeto Hora de Plantar uma política pública de Estado (PL 66/2021). A proposta de autoria do Governo do Ceará fornece mais segurança ao homem e a mulher do campo ao semear a terra e permite mais investimento em projetos produtivos.

O projeto teve origem na década de 80 como “Arrancada da Produção” e se consolidou como referência nacional ao distribuir sementes e mudas de elevado potencial genético. Em sua 34ª edição, a iniciativa idealizada por Eudoro Santana, distribuiu 3.410 toneladas de sementes de milho híbrido e variedade, sorgo forrageiro e feijão caupi. No total, 155 mil agricultores foram atendidos com um investimento de R$ 19 milhões do Fecop.

“O Estado distribui através dos técnicos da Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA) e da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ematerce) sementes de alto padrão genético. Essas sementes têm que ter capacidade de germinação acima de 80% e cadastradas e fiscalizadas pelo Ministério da Agricultura”, explica Nelson Martins, assessor especial de Relações Institucionais do Governo do Ceará.

Além da distribuição das sementes, somente até março deste ano, o projeto também entregou 5 mil m3 de manivas de mandioca, 6,262 milhões de raquetes de palma forrageira e 736 mil mudas, entre frutíferas, de caju anão precoce e essências florestais nativa. A proposta do governador Camilo Santana receberam emendas dos deputados Moisés Brás, Elmano de Freitas, Renato Roseno e Júlio César.

“o Estado do Ceará deve atingir uma safra agrícola de mais de 775 mil toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas e o Hora de Plantar é uma política pública decisiva para que possamos compreender este resultado”, opina o secretário De Assis Diniz citando os dados do último Levantamento Sistemático de Produção Agrícola (LSPA/IBGE).

Incentivo à produção

O rol de investimentos também ganhou o reforço com o aprimoramento das regras de acesso aos seus recursos do Fedaf. A reestruturação possibilita o desenvolvimento social, econômico e tecnológico da agropecuária e atinge as áreas fundiária, agroindustrial e atividades não-agrícolas. Destaque especial para a agroecologia e a economia solidária.

“Por exemplo, a mensagem encaminhada pelo governador possibilita, a utilização de recursos oriundos de empréstimos, sejam do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), ou bancos nacionais ou estrangeiros, como o Banco Mundial”, pontuou Nelson Martins. “Isso um aporte maior de recursos e modernização da atividade produtiva desenvolvida pelo homem e pela mulher do campo”, conclui De Assis.

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segunda-feira, 14 de junho de 2021

Sonda brasileira para aquicultura mostra novos sensores e funcionalidades na Agrotins Digital

  

Foto: Joana Silva

Joana Silva - Com novas funcionalidades, sonda pode monitorar até 14 parâmetros simultaneamente

Com novas funcionalidades, sonda pode monitorar até 14 parâmetros simultaneamente

Sonda Multiparâmetros para Aquicultura, desenvolvida em parceria entra a Embrapa Instrumentação (São Carlos, SP) e a startup Acqua Nativa, vai apresentar inovações durante a 21ª Feira Agrotecnológica do Tocantins – a Agrotins, que será realizada em formato totalmente digital, entre os dias 15 e 18 de junho.

A tecnologia brasileira, que integra o Projeto BRS Aqua e já controlava 12 parâmetros de forma remota, tem novos sensores agregados ao monitoramento em tempo real, para detecção de amônia (gás incolor que se dissolve na água) e cianofíceas (conhecidas popularmente como algas azuis).

“A sonda Acqua Probe ganhou também novos periféricos, entre os quais o flutuante com estação meteorológica integrada para monitoramento do clima, além da qualidade da água”, explica Hugo Vieira, diretor comercial da Acqua Nativa.

Ele acrescenta que as novidades incluem ainda “um aplicativo com novas funcionalidades, mais segurança e informações de relevância para a produção - gestão operacional, cálculos automáticos de arraçoamento (dosagem e uso de ração para os peixes) e reparametrização remota”.

Mais vendas e menos custo

“Além do pH, temperatura, oxigênio dissolvido (ou umidade), condutividade, turbidez, clorofila-a, a sonda agora pode ser customizada para monitoramento de até 14 parâmetros simultâneos, a um custo 75% menor em relação ao equipamento importado e com assistência técnica nacional”, avalia a pesquisadora da Embrapa Instrumentação, Débora Pereira Milori.

Todas essas características impulsionaram as vendas da tecnologia, que somente no primeiro semestre de 2021 já superaram as o ano todo de 2020, de acordo com a startup; as cooperativas de produção de peixes são as principais usuárias do sistema.

“A projeção é de escalonamento rápido da tecnologia, após a validação nessas cooperativas. Além da aquicultura, novos segmentos estão adotando a sonda: aquaponia, hidroponia, horticultura, agricultura de precisão, estações de tratamento de água e efluentes, monitoramento ambiental e educação”, acrescenta Hugo Vieira.

Os detalhes sobre a apresentação da Sonda podem ser vistos no endereço http://www.embrapa.br/agrotins-2021; neste ano a feira tem como tema “Agro 4.0: Tecnologia no Campo”, para deixar o produtor rural mais conectado – no ano passado o evento capacitou cinco mil pessoas e registrou mais de 470 mil visualizações (de 62 países) na plataforma na internet.

Edilson Fragalle (MTB 21.837/SP)
Embrapa Instrumentação

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Valor da Produção Agropecuária de 2021 deve registrar aumento real de 11,8 %

 OValor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) de maio deste ano atingiu o valor de R$ 1,11 trilhão. A cifra é 11,8% superior ao obtido em 2020, que foi de R$ 993,9 bilhões. As maiores contribuições para o crescimento são observadas em arroz, milho, soja e carne bovina, que tiveram dois anos consecutivos de forte aumento de preços reais.

As lavouras tiveram um aumento do VBP de 15,8%. A pecuária, 3,8%. Essas duas atividades obtiveram neste ano o mais elevado valor em 32 anos.

Os produtos que tiveram os maiores acréscimos do VBP foram arroz (5,7%), milho (20,3%), soja (31,9%) e trigo (35,1%). Com crescimento mais modesto, encontram-se cacau e cana de açúcar.

De acordo com o coordenador de Avaliação de Políticas e Informação da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, José Garcia Gasques, alguns grupos vêm trazendo contribuições negativas ao crescimento da agropecuária, como a batata-inglesa, café, feijão, laranja, tomate, uvas e na pecuária, leite, suínos e ovos. Isso ocorre, segundo ele, devido a efeitos de menores preços ou de menores quantidades produzidas.

Apesar de terem existido períodos de seca que afetaram lavouras, como milho e feijão, os preços têm contribuído para reduzir esse impacto. Esses efeitos foram sentidos, principalmente, no Paraná e em Mato Grosso. O milho foi particularmente prejudicado. A segunda safra, que é a mais importante, teve uma redução em relação a 2020, de 5 milhões de toneladas, e menor produtividade de grãos.

O crescimento do VBP pode ser atribuído, como destacado em relatórios anteriores, ao excepcional desempenho das exportações de soja em grãos e carnes, preços favoráveis e a safra de grãos, que apesar de problemas de falta de chuvas ocorridos, mesmo assim as projeções da Companhia Brasileira de Abastecimento (Conab) e do IBGE são de uma safra expressiva.

Os dados regionais do VBP continuam mostrando a liderança de Mato Grosso com participação de 17,2% no valor, Paraná 13,2%, São Paulo 11,2%, Rio Grande do Sul 10,8%, e Minas Gerais 10%.

O que é VBP  

O VBP mostra a evolução do desempenho das lavouras e da pecuária ao longo do ano e corresponde ao faturamento bruto dentro do estabelecimento. Calculado com base na produção da safra agrícola e da pecuária e nos preços recebidos pelos produtores nas principais praças do país, dos 26 maiores produtos agropecuários do Brasil. 

O valor real da produção, descontada a inflação, é obtido pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) da Fundação Getúlio Vargas. A periodicidade é mensal com atualização e divulgação até o dia 15 de cada mês.  

>> Resumo VBP

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